Quando era mais novo, muito mais novo, Scooby-Doo era um daqueles desenhos animados que não perdia. Quantas oportunidades havia para ter desenhos animados, histórias de detectives e terror ao mesmo tempo?

Não será de estranhar assim que a Patrícia tenha como um dos seus desenhos animados favoritos o Scooby-Doo, que começou a ver desde muito cedo, na sua versão clássica que passa no canal Boomerang.

Claro que anos passados, é por vezes difícil encontrar as tais histórias de detectives ou de terror no Scooby-Doo mas na altura, tal como para a Patrícia hoje…

Ainda assim, mesmo que muito tenha mudado (e vamos tentar esquecer os filmes de 2002  e 2004 assim como o telefilme de 2009) há coisas que ainda hoje estão iguais, pelo menos para mim: Os meus personagens favoritos.

Desculpem-me os mais aguerridos mas eu há muito que sou pessoa de gatos e, ainda que simpatize com o trapalhão Grand Danois, os meus personagens favoritos sempre foram o Shaggy e a Velma e como tal, muito me agradou descobrir o trabalho de Jeff Zoet onde, para além de todos os outros personagens, os dois da minha preferência estão particularmente bem representados.

Velma

O tema, bem, é do melhor que se pode arranjar para uma história do Scooby-Doo: Zombie Apocalypse. Os zombies estão lá, a Mistery Machine está lá, o céu ameaçador também. Agora é por a imaginação a trabalhar.

Shaggy

Velma and the Mistery Machine

O set completo pode ser visto na página do Facebook Jeff Zoet Visuals.

Sim, sabemos hoje que Star Wars, o começo de toda a saga, é na realidade (teóricos da conspiração, venham de lá as vossa teorias) o episodio IV, mas foi com a perspectiva de quem nada sabe sobre Star Wars que disse à Patrícia para ver este primeiro filme.

Star Wars em casa

E assim foi. Os três (bem, os quatro que o gato Browser fez questão de acompanhar a aventura ainda que com os olhos fechados) no sofá, depois de um dia muito activo, pizza, agua e 7Up. Que comece a sessão.

1977 está bem presente e quanto a isso não há duvidas mas ainda assim, a Patrícia aguentou firme (mais que qualquer um de nós) até ao fim, colocando constantes questões, dando opiniões e até sugestões sobre o que se deveria passar a seguir.

Já temos como certo que, a próxima sessão, Star Wars: O Império contra-ataca, terá uma baixa na audiência. A Susana já deixou claro que nesse dia, ainda que não tenha já data marcada, ela tem algo de muito importante para fazer e não poderá estar presente… Um destes dias tentaremos Star Trek: O Filme (The Motion Picture, 1979). Quem sabe não estará ali uma trekkie por descobrir…

 

Pai, porque é que se diz um par de cuecas? Um par deviam ser duas certo? Quando alguém diz dois pares de cuecas devia estar a falar de quatro cuecas certo? Porque dois pares são quatro. Um par de meias tem sentido, são duas meias, mas um par de cuecas?

E esta frase surge assim, do nada, em agradável passeio matinal junto à Basílica da Estrela…

Estava eu a começar a dizer-lhe que essa era uma questão que já me tinha passado pela cabeça quando a Patrícia me pergunta se já tinha pensado nisso.

A sério pai? Quando?

Pois… Podia ter avançado que talvez ai aos 30 ou 35 anos, eventualmente numa noite bem bebida… Achei melhor ficar pelo clássico “Um dia, sei lá. Mas sim, essa é uma pergunta relevante e para a qual ainda não arranjei resposta.”

Ela tem 8 e garanto-vos, estava sóbria.

Ernst Stavro Blofeld e o seu gato
Estarei a criar a futura líder do SPECTRE?

Sentada no cadeirão, com o Browser ao colo e enquanto lhe faz umas festas na cabeça, diz a Patrícia:

Pai, sabias que todos os génios do mal se sentam no cadeirão com um gato ao colo enquanto fazem os seus planos?

Tremo por breves instantes, revejo toda a estratégia educativa numa fracção de segundo e logo de seguida penso “Se não for eu a conquistar o Mundo, então que sejas tu”. E respondo:

Pois é. Curioso filha, muito curioso…

Ontem ao chegar a casa, esperava-me a Patrícia com o habitual sorriso nos lábios. É uma das coisas boas de ser pai, isto dos sorrisos… Estava eu no quarto quando ela a preparar-se para tomar banho, salta de repente para cima da minha cama e diz:

Estás a ver pai? É bom quando nos divertimos. Mas os adultos às vezes não se divertem… É só trabalho, trabalho…

Como a conversa foi dali ao Fernando Pessoa confesso que já não sei mas, uma vez mais, esta rapariga não pára de me surpreender. Ainda na cama, lemos os dois um pouco da Ode Triunfal. O ritmo de Álvaro de Campos impressionava-a e ao mesmo tempo fazia com que esperasse por mais…

Quis mostrar-lhe que nem todos os Pessoas são assim. Disse-me que já sabia ou já teria eu esquecido a exposição do Fernando Pessoa que fomos ver?

Saltei da cama e enquanto ela ficava a tentar apanhar o jeito às máquina infernais da Ode Triunfal, fui à sala procurar O Livro do Desassossego.

Patrícia a ler Fernando Pessoa - Pedro Rebelo

O meu desejo é fugir. Fugir ao que conheço, fugir ao que é meu, fugir ao que amo. Desejo partir – não para as índias impossíveis, ou para as grandes ilhas ao Sul de tudo, mas para o lugar qualquer – aldeia ou ermo – que tenha em si o não ser este lugar. Quero não ver mais estes rostos, estes hábitos e estes dias. Quero repousar, alheio, do meu fingimento orgânico. Quero sentir o sono chegar como vida, e não como repouso. Uma cabana à beira-mar, uma caverna, até, no socalco rugoso de uma serra, me pode dar isto. Infelizmente, só a minha vontade mo não pode dar.

Serviu também de historia de embalar… E que bem sabe quando já deitada, coberta e aninhada, a ouço dizer:

Somos mesmo parecidos pai.