Há uns tempos, num daqueles raros dias que chego a casa a horas decentes, aproveitei ser o primeiro a chegar e fui fazer o jantar. Até chegar à cozinha, passei pela sala e pus um disco de vinil a tocar. Música é sempre boa companhia. Era o Forever Changes, dos Love… Ironicamente, já perceberão porquê.

Musica Disco em Vinil Forever Changes

Passado um pouco, toca a campainha. Confirmando que se tratava da Susana e da Patrícia, abri a porta do prédio, deixei a porta de casa encostada e voltei para a cozinha (sim, que comida ao lume é coisa séria demais para se deixar sem companhia).

Ao entrarem em casa, a Patrícia foi ter comigo e a primeira coisa que me disse foi “Pai, a música está um bocado alta não?“, ao que lhe respondi que era era normal, uma vez que estava na cozinha e queria ouvir música mas, além disso, estava sozinho em casa, podia ter a música mais alta, sem incomodar ninguém. Pensava que a razão fosse clara e que a coisa ficava por ali. Não ficou. Quase de imediato a Patrícia pergunta “Então mas não tinhas comprado uns headphones no Natal para isso?”.

E naquele momento, deparei-me com a tal realidade dos mundos paralelos, que uma vezes se entrelaçam formando a trança perfeita e outras simplesmente colidem, com mais ou menos força, de forma mais ou menos brutal. E pode não parecer, mas foi brutal. Principalmente porque foi por causa da Patrícia que voltei a ouvir música em casa, que voltei a ouvir discos em vinil, no dia em que lhe quis mostrar o valor da música. Enfim, foi um choque. Aquele momento de “ouve lá a tua música, no teu canto, sem incomodar” foi o que mais incomodou.

Afinal, entendemos a música de forma diferente.

Não há nada de estranho no diferente entendimento da música, não é estranho que os gostos musicais sejam diferentes e que a forma como se ouve a música seja diferente. Eu próprio gosto de ouvir música de forma diferente em conformidade com o mood com que me encontro. O choque foi causado pela percepção dos caminhos diferentes. Eles crescem.

E foi com essa ideia de caminhos diferentes que resolvi abrir um novo caminho para mim, aqui, na Internet. Abrir e não seguir pois continuarei por aqui, no browserd.com, a escrever os meus desabafos costumeiros sobre o que me vai na alma (essa desgraçada), mais a reclamar do que outra coisa. No entanto, ali ao lado, no Sapo Blogs, abri o Gira Discos, um blog onde pretendo partilhar com quem tiver interesse em tais coisas, os discos em vinil que vou adquirindo, a sua história e, eventualmente, a minha história com eles.

Não sei se o Gira Discos vai durar, que regularidade vai ter, nem tão pouco a forma do dito está já bem definida mas, por enquanto, está lá, vai crescendo, com gosto, no seu próprio caminho, diferente.

Passem por lá, vejam se gostam, comentem, sugiram, subscrevam… e depois voltem.

I Walk the Line é o titulo de uma das mais famosas canções de Johnny Cash.

Atribui-se a letra desta canção ao momento da vida de Johnny Cash quando a escreveu: recentemente casado, esperava-se a fidelidade, a responsabilidade e que resistisse às tentações…

A vida de Johnny Cash não foi bem assim, tendo muitas vezes escolhido outros caminhos. Mas a canção I Walk the Line manteve-se sempre como uma das suas marcas, podendo nós, numa interpretação livre do sentido, encontrar lugar para ela em toda a vida do artista. Por alguma razão I Walk the Line foi o nome dado ao (espetacular) filme que conta a vida de Johnny Cash.

I Walk the Line… E ela também…

Não é novidade que eu gosto de Johnny Cash e que este sempre esteve presente na cultura musical que tenho tentado passar à Patrícia

Patrícia Rebelo I Walk The Line

Ao ver esta fotografia, imediatamente me lembrei da canção. E tudo tem tanto sentido…

Quando ela disse “Podes publicar pai”, eu publiquei.

 

Em tempo de férias, cinema, filmes da Disney e outros que tantos, há que relembrar a importância de mostrar aos mais novos, os clássicos da 7ª arte. Mostrar-lhes que para além dos efeitos especiais, das criaturas fantásticas e das paisagens maravilhosas, sempre houve no cinema motivo de encanto.

Porque entreter é bom, ensinar é óptimo e mostrar do que é feito a Humanidade é sem dúvida, melhor ainda. As escolhas que farão, que sejam antes de mais as suas. Mas que nunca nos digam que não sabiam que havia mais por onde escolher.

O Grande Ditador

Em 1940 Charlie Chaplin apresenta ao mundo O Grande Ditador, aquele que viria a tornar-se o seu maior sucesso comercial.

Numa sátira mordaz, condenando os regimes fascistas da Europa de então, a genialidade de Chaplin revela-se uma vez mais em toda a produção do filme, e brilha de forma impar neste discurso.

Sim, em nossa casa, por vezes, voltamos aos clássicos… Uns mais clássicos e outros nem tanto. Mas sempre com um sentido.

O Grande Ditador é um dos clássicos presente na lista de filmes a apresentar à Patrícia. É só dar-lhe tempo…

E vocês? Vão mostrar os clássicos aos vossos filhos?

Não é que ande a carregar caixotes ou a cavar a horta como se não houvesse amanhã. Nada disso. Mas ainda assim, sinto que já me dava jeito um ou dois dias de sofá, de mesa farta, cheia daquelas coisas boas que não fazendo bem, são deliciosas, de musica a tocar de manhã até à noite e sem grandes preocupações… Sinto que já me dava jeito o Natal.

Peanuts. O Natal no aniversário

E este ano, um bocadinho do Natal chegou mais cedo, com uma das prendas de aniversário que a Susana e a Patrícia me ofereceram, um dos volumes de Peanuts, a obra completa.

Peanuts e o Natal? Claro. Há razões para isso.

Os Peanuts, Charlie Brown, Lucy, Sally, Linus, Schroeder, Peppermint Patty e obviamente, o Snoopy, sempre me fizeram lembrar o Natal. Talvez porque tenha visto, quando miúdo, o episódio especial de Peanuts intitulado A Charlie Brown Christmas, numa daquelas férias de Natal em que não havia muito mais que fazer (quando o Inverno era a sério) que ficar em casa e ver televisão. Talvez porque A Charlie Brown Christmas de Vince Guaraldi seja um dos meus álbuns de jazz favoritos (por sua vez, talvez porque me lembre de ouvir este álbum como a banda sonora do referido episódio dos Peanuts).

Seja porque razão for, os Peanuts lembram-me Natal e Natal lembra-me esse desejo de uns momentos de sossego (sim, depois de toda a azáfama da noite de Natal, do jantar em família, das prendas…), em que paro, ponho um disco a tocar, abro um livro e, com um copo de vinho na mão, agradeço pelo que tenho.

O Natal ainda está longe (quando a vontade é muita, o tempo parece custar mais a passar) mas com esta prenda que elas me deram, dia a dia, ele vai ficando mais perto, mais depressa, como se já estivesse a saborear uns minutos daqueles dias especiais a cada página que viro.

Obrigado miúdas. Já vos disse que adorei a prenda?

Sim, que isto de ser pai, tem muito que se lhe diga… E como ser pai não é só receber mimos e beijos doces, pareceu-me uma altura tão boa como qualquer outra para exercer outra das funções de pai: a de educador.

Confesso que já não sei porquê, mas esta manhã, ao entrarmos para o carro, referi a expressão Crazy Train. Daquelas coisas que eventualmente não teria qualquer sentido considerando que, nem de perto nem de longe, falávamos de comboios.

Pergunta-me a Patrícia:

“Pai, de que é que estás a falar? O que é o Crazy Train?”

Ora bem, este é um daqueles momentos verdadeiramente estranhos mas que podem (e certamente acontecem) acontecer na vida de qualquer pai. Chegou a hora de explicar à Patrícia o que é o Crazy Train.

São 8 da manhã. Pai que é pai faz aquilo que tem que ser feito. Saca do telefone, vai ao Youtube e…

“Filha, este “avozinho” continua a dar música a muita gente. Importante é aprender que, independentemente do tipo de música pela qual se tem preferência, há boa música em todo o lado, em todos os géneros. Esta por exemplo, é uma boa música.”

A explicação sobre a paranóia da Guerra Fria, as armas nucleares, o Nash equilibrium e o John von Neumann ficam para mais tarde, com tempo.

Ainda assim, fiquei com muita vontade de propor à nossa filha uma sessão de cinema caseiro este fim de semana: Cobertores, pipocas e Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb.