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O melhor brief de sempre

Há quem não acredite mas de igual forma há quem o tenha testemunhado. O melhor brief de sempre passou-me pelas mãos e dizia somente:

Preciso de um banner genérico para situações diversas.

Se já é verdadeiramente incrível que um brief como este seja passado a alguém, confesso que acho muito mais incrível a quantidade de vezes que tal acontece.

Pedro Rebelo - O melhor brief de sempre

Se a culpa é do Cliente? Bem, o Cliente terá culpa certamente mas essa não ficará sozinha, triste e abandonada, a ser motivo de escárnio e mal dizer em tudo quanto é agência. A ela se pode juntar a culpa dessas mesmas agências (ou dos profissionais que nelas trabalham) e que se recusam, perante o claro medo de perder o Cliente, a ensinar, a educar (sim, que dizer que os Clientes também precisam de aprender e de ser educados não é blasfémia. Diacho, os Clientes não são Deuses. São Clientes) e a contrariar o Cliente, quando nitidamente a situação tal requer.

Depois as coisas correm mal, os resultados não são os esperados e, em última análise, põe-se a culpa no mercado, na crise ou no que quer que seja que esteja com as costas largas no momento. A culpa nunca é do Cliente que apresentou um brief como este nem da agência ou profissional que disse “Sim senhor, é para já”.

Os medos são coisas sérias e devem ser entendidos como tal mas, deixar que os mesmos ditem as regras não me parece ser, de todo, o melhor caminho.

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A estética Burning Man

Talvez já tivesse passado pelo meu olhar, algures no passado, uma qualquer referência ao festival Burning Man (é bem provável considerando que existe desde 1986 e, de alguma forma está próximo de alguns dos meus temas de interesse) mas só este ano, numa aula de Cultura Pop (lecionada pelo Professor Dr. Jorge Rosa no âmbito do Mestrado em Culturas Contemporâneas e Novas Tecnologias da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa – fiquei cansado) lhe dediquei mais atenção, aquando da apresentação por parte de uma colega minha, de um trabalho em torno deste festival.

Fotografia de Erica Martin, publicada no seu blog

Fotografia de Erica Martin, publicada no seu blog

Mas o que é o Burning Man?

Para quem não conhece, trata-se de um evento que se realiza nos Estados Unidos, mais precisamente no Black Rock Desert ao norte do estado do Nevada onde, entre a ultima segunda-feira de Agosto e a primeira de Setembro, dezenas de milhares de pessoas se juntam para criar uma cidade efémera, como refere a organização, uma metropole temporária, dedicada à arte, à expressão pessoal e ao espirito de comunidade, com a grande particularidade de que, quase tudo nesta “cidade” é construído pelos seus “cidadãos” que se tornam assim, mais que simples visitantes, colaboradores activos do espaço desde a sua génese.

Todo o conceito se encontra envolto em inúmeras polémicas que vão desde o seu propósito (será uma expressão contra-cultura, um ataque ao estilo de vida capitalista, um espaço de puro niilismo?) até à mais recente “apropriação” por parte de grandes corporações, de espaços reservados a visitantes VIP, com direito a tratamento diferenciado onde, e citando uma participante, “em vez de re-educar o 1%, o espaço só serve para reforçar as divisões de classes no mundo real“, mas, independentemente disso, independentemente da forma como queiramos olhar e entender o evento, há um dado a que não passará alheio quem se debruce um pouco que seja sobre o Burning Man: é um espaço com uma imagética única, de uma riqueza visual extraordinária.

Fotografia de Erica Martin, publicada no seu blog

Fotografia de Erica Martin, publicada no seu blog

Burning Man, um espaço para Hippies?

Ainda que constantemente seja associado à estética (enquanto experiência do sensível, o que, neste caso em particular muito se adequa sem distinguir sentidos) hippie, o Burning Man é essencialmente, e como dá a entender Brian Doherty no seu livro This Is Burning Man: The Rise of a New American Underground, um espaço que podia ter saído de Mad Max, um espaço mais próximo de uma distopia futurista onde punks, cyberpunks, technopunks, steampunks e, como li algures, punk punks, vivem sabendo que o mundo lá fora é outro, com regras e ordens mas que ali, em Black Rock City, se podem esquecer delas (ainda que, como em qualquer distopia que se preze, esse esquecimento, essa liberdade, seja só uma ilusão).

Todo este ambiente contribui para a tal imagética que, só por si, faz do Burning Man um evento a considerar. Foi o que fez Erica Kelly Martin, fotografa que, tendo um entendimento bastante diferente do meu relativamente ao evento, registou imagens fantásticas que nos deixam com vontade de conhecer mais sobre o tema.

Fotografia de Erica Martin, publicada no seu blog

Fotografia de Erica Martin, publicada no seu blog

O Burning Man foi-me lembrado por um artigo no Lenscratch mas podem ver mais do trabalho de Erica sobre este evento no seu blog e no seu site pessoal.

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Ainda o Walter Benjamin…

Pedro Rebelo outra vez a revisitar o Walter Benjamin

Fazer as coisas “ficarem mais próximas” é uma preocupação tão apaixonada das massas modernas como a sua tendência a superar o caráter único de todos os factos através da sua reprodutibilidade. A cada dia fica mais irresistível a necessidade de possuir o objeto, tão perto quanto possível, na imagem, ou antes, na sua cópia, na sua reprodução. A cada dia fica mais nítida a diferença entre a reprodução, como ela nos é oferecida pelas revistas ilustradas e pelas atualidades cinematográficas, e a imagem. Nesta, a unidade e a durabilidade se associam tão intimamente como, na reprodução, a transitoriedade e a repetibilidade.

Walter Benjamin

Sendo um desabafo meu, poderia ser esperado que tivesse um intento, um claro objectivo, radicalmente, um alvo.

Não tem. Não agora, não aqui. Serve essencialmente para me lembrar que não desisto, para me lembrar que aprendi cedo que o poder se conquista e que, mesmo que várias formas possam contribuir para tal, umas terão mais valor que outras e dependerá dessas o respeito que o poder nos merece, logo, a força do mesmo.

 

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Formação em Redes Sociais, para quê?

Foi realmente uma grande semana. Sem parar um único dia, da Estratégia de Redes Sociais, sem Facebook até ao relacionar do Twitter com as Cidades Inteligentes, passando pela Identidade Digital e voltando ao Twitter para explicar o quanto essa rede social tem para nos dar, foi uma grande semana para a formação em redes sociais.

Grande pois parecia não acabar, e garantidamente, as 26 horas do dia pareciam nunca ser suficientes para tudo quanto queria dizer, tudo quanto queria lembrar, tudo quanto queria ensinar.

Pedro Rebelo  Formação em Redes Sociais

Fotografia de Mario Pires https://twitter.com/retorta

“Mas haverá assim tanto para dizer numa formação em redes sociais?” já me perguntaram alguns. Aliás, não é tão incomum quanto possa parecer, perguntarem-me “Mas para que é que alguém quer formação em redes sociais?“.

Sou capaz de dizer que é um pouco arrogante assumir que sabemos tudo o que há para saber sobre determinado tema mas, para além disso, há que lembrar que formação não implica obrigatoriamente, só falar de coisas novas, coisas que desconhecemos. Formação pode ser um relembrar de conhecimentos, ou um re-organizar dos mesmos, dar um sentido, um contexto, uma ordem, a determinados conceitos e práticas que, mesmo que conhecidos, não são aproveitados da melhor forma.

E formação em redes sociais é muitas vezes um juntar dessas duas vertentes.

Mas toda a gente tem Facebook. É mesmo preciso ter formação em redes sociais?

Há uns tempos atrás, uns alunos da minha faculdade colocaram um meme (para quem não sabe o que é, há formações onde se fala disso, ou então perguntem ao Google ou a mim. Qualquer um dos dois pode responder) no Facebook, com uma alusão pouco simpática a um determinado professor. Não sendo verdadeiramente explicita, para quem conhecesse o professor era clara. Antevendo o que iria acontecer, comentei:

Muito bom este meme. Agora quero ver quantos alunos vão ter coragem de fazer um Like.

O post foi apagado poucos minutos depois. É um erro não é? Sabemos que não se devem apagar posts do Facebook não sabemos? Alguns, aparentemente, não sabem.

De imediato fiz eu um novo post no Facebook, e desta feita não com um meme mas com um screenshot do post feito pelos alunos e com o meu comentário. Caiu o Carmo e a Trindade.

Alguns minutos depois, começa a conversa:

Pedro Rebelo a "dar formação em redes sociais" :)

Sim, isto acontece. E não acontece só a quem nunca mexeu nas redes sociais ou a quem não percebe nada disto de computadores ou de comunicação. Acontece a alunos, universitários, de Comunicação, com centenas de amigos espalhados por diversas redes sociais. E a pessoas que nunca tiveram formação de redes sociais também.

Mas se ainda assim acham que nada disto tem interesse, não no “mundo real”, não onde somos pessoas responsáveis, no mercado de trabalho, bem, poderia dizer-vos que estes alunos, universitários, serão em breve essas pessoas responsáveis, no mercado de trabalho. Mas mais do que isso, posso dizer-vos que há pessoas responsáveis, no mundo do trabalho, que aparentemente também nunca tiveram qualquer formação em redes sociais. Se tivessem tido não fariam coisas como estas:

Era só para os meus 170 seguidores

Sim, a Justine, tal como o Outro Aluno no exemplo anterior, também argumentou que escreveu o tweet só para divertir os seus 170 amigos no Twitter. Um deles era o jornalista Sam Biddle cuja conta no Twitter tem mais de 20 mil seguidores. É preciso contar o que aconteceu a seguir?

A viagem de Justine até Africa demorou 9 horas e quando aterrou, Justine já tinha sido despedida do seu cargo de Directora Sénior de Comunicação Corporativa na IAC, uma das grande empresas internacionais de Comunicação e Internet.

Formação de redes sociais para quê? Bem, é certo que gente com falta de bom senso há em todo o lado mas, convenhamos, o risco diminui com a formação certa.

Este post já vai longo e é Quinta-feira, véspera de feriado. Esta será uma semana mais curta. A ver vamos como será a semana que vem.

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