Pois é, o Notes no Facebook está de volta e acabei de ver no meu perfil que está agora mais actual, mais visual, mais sexy… Pois é, agora o Notes no Facebook parece-se mais com os blogs.

Notes no Facebook Pedro Rebelo

Mas ainda existe o Notes no Facebook?

A ultima vez que usei a funcionalidade de Notes no Facebook foi em Março de 2011. Na altura, usava o Notes no Facebook para replicar os meus posts aqui no browserd.com. Fazia um post aqui e publicava automaticamente um novo post no Facebook, com o mesmo conteúdo, através do Notes. Resultado disto? Os comentários deixaram por completo o site e mudaram-se de armas e bagagens para o Facebook. Os leitores não tinham qualquer necessidade de ir ao site pois todo o conteúdo estava ali, no mesmo sitio onde eles estavam.

Mas o browserd.com é o meu espaço, o meu personal playground, o sitio onde eu escrevo o que quero e como quero. Em ultima análise, o sitio que estará sempre aqui, sempre enquanto eu assim o desejar. Poderia dizer o mesmo do Facebook? Não.

Foi nesse mês de Março de 2011 que decidi deixar de usar o Notes no Facebook. Continuaria a publicar os links para cada novo artigo que escrevesse mas, quem o quisesse ler, completo, deveria vir ao blog.

Nem por isso os comentários voltaram ao blog. As pessoas continuaram a comentar no Facebook, desta feita, nos links que lá deixava. Sim, as visitas ao browserd.com aumentaram mas aumentaram de igual forma o numero de comentários de quem claramente não tinha lido os posts por completo, de quem claramente só lera o titulo ali no Facebook e tal bastara para deixar a sua opinião, muitas vezes, para destilar o seu veneno.

Mas há muito que não se fala do Notes no Facebook

Curiosamente, foi mais ou menos a partir dessa altura que deixou de se falar do Notes no Facebook. Notoriamente os interesses ou pelo menos a forma de navegar na Internet pareciam ter mudado. As pessoas liam cada vez menos. Interagiam. Isso sim. Interagir é a regra de ouro. Like para cima e para baixo, share a torto e a direito. Like ao quê? Share do quê? Isso agora não interessa nada. Faz ai mais um like se faz favor. Partilha lá isto que tem piada.

Os anos passaram e de repente alguém diz que estamos na Era do Conteúdo. Por esse mundo fora, quase silenciosamente, os blogs vão renascendo, página a página, post a post, blogs de moda, blogs políticos, blogs de desporto, blogs de estrelas e personalidades… Blogs, blogs, blogs por todo o lado. Diacho, até o Linkedin, aquela rede cinzenta, séria e profissional (dizem) de um momento para o outro diz “venham cá e escrevam posts, façam disto o vosso blog“.

Conteúdo, conteúdo, conteúdo… O mundo é feito de texto, seja ele palavras ou imagens. E o Facebook sabe disso. Durante anos não lhe ligou nenhuma. Para quê? Estão todos encantados, entretidos a fazer likes e shares, uns atrás dos outros, sem ler… Mas de repente acordou.

Sim, o Notes no Facebook voltou!

Venham, venham, temos Notes no Facebook outra vez, e desta feita em grande. Ponham imagens, imagens de cover, imagens no body, ponham muitas imagens que a malta gosta disso. E por falar em body, apliquem-lhe as regras do bom html, façam o vosso trabalho de SEO, apliquem H1’s e H2’s, apliquem listas e citações, esforcem-se e em breve, o vosso conteúdo do Notes no Facebook dominará os primeiros lugares nas pesquisas do Google. Não é isso que vocês querem?

Bem, falo por mim. Não, não é isso que eu quero. Quero os primeiros lugares nas pesquisas do Google sim mas, quero-os a apontar para o meu espaço, para o meu site, para o meu blog. Quem sabe quanto tempo durará o Facebook? Quem sabe quanto tempo durará qualquer uma das redes que estão agora tão em voga?

O browserd.com já cá está desde 2001. Já viu nascer e morrer muitas redes, gigantes que pareciam ter conquistado o mundo e de repente… Mas o browserd.com ainda cá está.

É por essa razão que o regresso do Notes no Facebook não me convence. Sei que mais uma vez serei eu contra o mundo mas ainda assim, prefiro continuar no meu espaço, a partilhar com todos vós aqui, no Facebook e em todas as outras redes.

 

Os novos All Star estão a dar que falar. O seu lançamento mundial foi noticia de destaque em muitos meios de comunicação. Pudera. Há já quase 100 anos que o modelo clássico dos mais famosos ténis da marca Converse, os Chuck Talyor All Star, não sofria alterações. Durante este período foram lançadas novas  cores, novos padrões, foram revisitados alguns esquecidos (os Hi-Top todos pretos por exemplo) mas, mudanças estruturais, nunca tinham acontecido. Até agora.

Os novos All Star

A Nike, desde 2003 proprietária da marca Converse, resolveu que estava na hora de “modernizar” os famosos ténis e lançou para o mercado os novos All Star com uma campanha de comunicação que, aparentemente, terá passado por lembrar a alguns jornalistas que os All Star existiam (a sério que tenho as minhas dúvidas sobre se todos quantos de repente se lembraram dos ténis All Star, se teriam lembrado sem serem recordados de tal) de forma a que, aquando do dia em que os novos All Star fosse colocados a vender, os comentários sobre os mesmos estariam já “no prelo”, prontos a publicar. E assim foi.

Durante toda a semana, surgiram artigos pelo mundo inteiro, verdadeiramente glorificando os novos All Star, muito mais resistentes e muito mais confortáveis. Sim, é o conforto que se apresenta como o verdadeiro trunfo nestes novos All Star. A palmilha esponjosa a que a Nike chama Lunarlon e que utiliza em muitos dos seus modelos de ténis de corrida, foi adicionada de forma a proporcionar um maior amortecimento ao pé. A pala passou a ser almofadada (a pala clássica, fina, tende a escorregar para os lados coisa que já não acontece com esta), a zona do tornozelo foi reforçada e todo o corpo do ténis passa a contar com um tipo de lona mais resistente, que se mantém “armada”.

No exterior, grandes modificações também: A sola ganhou mais alguns milímetros de altura, a ponteira de borracha é mais grossa, as ilhoses passam agora a ser da mesma cor que a lona, o logotipo colocado na lateral é agora cozido e não colado, enfim, alterações suficientes para me levarem a afirmar:

Os novos All Star não são, de todo, como os clássicos All Star.

Note-se que esse é um dos argumentos de quem tem apresentado os novos All Star, que pouco mudaram e mudaram para melhor, que os novos All Star são os All Star de sempre mas, mais confortáveis, mais 2015… Pois. Talvez eu goste mais dos clássicos All Star, um design de outros tempos. E convenhamos, ninguém compra uns All Star por serem confortáveis.

Os All Star nunca foram verdadeiramente confortáveis e há muito que existem no mercado outros ténis, até dentro do estilo, mais confortáveis que estes. Experimentem fazer uma grande caminhada com um par de All Star e digam-me ao fim do dia o quão descansados e suaves (para não dizer bem cheirosos) estão os vossos pés. Ainda assim, quem gosta de All Star, continua a comprar este modelo e mais que isso, defende a sua escolha aguerridamente, com unhas e dentes.

Os All Star vivem há muito de uma questão de atitude. São representativos de um determinado estado de espirito, de uma determinada forma de viver ou o desejo de tal. Usar uns All Star é só por si uma afirmação, um marcar território…

Os All Star são os ténis que deixamos à porta da tenda, são os ténis com que atravessamos o rio e que depois penduramos ao pescoço para secar. São os ténis que levamos ao festival, onde desenhamos caretas na ponta branca e quando esta já não chega, há ainda muita lona para escrever.

Os All Star são os ténis dos enfant terribles do Rock n’ Roll, dos inadaptados do cinema, são símbolos geracionais representando gerações das quais parecem continuar a existir ilustres representantes a cada nova geração que surge.

E no meio de tudo isto, alguém se lembrou do conforto? Não, nem por isso. Eventualmente, quando os pés estão a doer, quando a bolha rebenta, lá vem um ou outro desejo de maior conforto mas que se esmorece rapidamente ao olhar para os All Star pensando neles como uns resistentes, verdadeiras máquinas de guerra, prontas para mais um dia de gloriosas conquistas, amanhã.

O conforto dos novos All Star não é uma boa ideia?

Novos All Star comparação Pedro Rebelo

Claro que é. Tivesse a Nike optado por colocar a sola Lunarlon no antigos modelos, tivessem reforçado a borracha como fizeram nos novos All Star, cozido o logo da estrela ou tivessem eles feito os novos All Star, sem retirar a linha branca que pontilhava a lona nos modelos clássicos, tivessem mantido o traço preto que separava a sola da lona, tivessem mantido a forma original, mais arredondada na ponta e menos estreita no corpo e sim, talvez eu fosse comprar os novos All Star pensando no conforto que eles me iriam proporcionar.

As coisas de que ninguém falou sobre os novos All Star

Novos All Star comparação All Star Classicos Pedro Rebelo

Sim, são parecidos mas não são iguais e algumas das diferenças tornam-os radicalmente diferentes. O facto dos novos All Star terem uma forma mais estreita origina uma biqueira mais afunilada o que só por si pode ser um deal breaker para quem gosta da dos All Star clássicos, mais arredondada. Mas esta questão da forma mais estreita vai para além da estética. Esta forma obriga a que quem tenha o pé mais largo, como eu, se veja obrigado a calçar um numero acima do seu numero normal. Ao experimentar uns novos All Star 42 não só tive dificuldades em enfiar o pé nos mesmos como mal os conseguia apertar. Já o numero acima, que calçava razoavelmente bem, levantava outros problemas: ficavam um pouco mais compridos e largos o que levou a que quando dobrei os pés para andar, “sobrava” lona por todos os lados.

Novos All Star comparar Pedro Rebelo

Tenho a certeza de que os novos All Star vão agradar a muita gente. Que mais não seja, é outra vez fashionable usar ténis All Star, os novos All Star. Tenho quase a certeza de que já alguém deve ter ouvido algo como “Mas os teus são dos antigos?” acompanhado de um certo desdém.

Por outro lado, também tenho quase a certeza de que um destes dias, a Nike irá lançar no mercado uns All Star Chuck Taylor, clássicos, com as inovações relativas ao conforto que agora apresentam nos novos All Star.

A Nike, numa manobra comercial inteligente e que demonstra saber o valor do produto que adquiriu em 2003, optou por manter no mercado as duas linhas, os All Star Chuck Taylor e os novos All Star Chuck Taylor II. Ainda bem.

Sim, eu sei, há que acompanhar o desenvolvimento e aceitar o futuro que se apresenta a cada dia. Ainda assim, gosto de acreditar que (mesmo sabendo que é uma frase há qual não podemos deixar de acrescentar mil nuances) há coisas que nunca mudam e como dizem os americanos, criadores dos All Star, old habits die hard. É por isso que vou comprar uns All Star clássicos.

 

Que eu tenho amigos estranhos não é novidade para quem me conhece… O mais curioso disso é que muitos desses meus amigos estranhos, sabem o quão estranhos são e demonstram um orgulho nisso quase tão grande quanto o meu em os ter como amigos…

Há já uns anos atrás, largos, entre copos, muitos, sob a égide de um valoroso crustáceo, a lagosta, uns quantos desses amigos fundam o One Over Zero dando o mote para a discussão em torno da singularidade tecnológica… Sobre esses poderei falar mais tarde mas por enquanto, afunilemos a conversa…

Do One Over Zero surge então, uns anos mais tarde, o OOZ Labs, o espaço onde algumas de entre as lagostas mais dadas a essas coisas do Do It Yourself, decidem, como eles próprios afirmam, construir, arranjar, melhorar, estragar, combinar, inventar, alterar… e mostrar como se faz. Não vos parece o grupo ideal para participar na  Lisbon Maker Faire?

Para quem não conhece, a Lisbon Maker Faire, organizada pelo SAPO, a Ciência Viva e a Câmara Municipal de Lisboa, é em Portugal, o expoente máximo do movimento “Maker”, uma cultura (ou como alguns lhe chamam, subcultura) onde pessoas entusiastas de tecnologia mas também mecânicos, cientistas, artesãos e gente curiosa com particular interesse em fazer coisas, dão azo ao seu desejo criando objectos de utilidade prática, muitas vezes através do redesenho e reutilização de outros objectos ou criando componentes que conjugados de determinada forma, dão origem a um novo objecto. Imaginem coisas que podem ir de um ovo de chocolate em forma de puzzle 3D ao Apple I apresentado por Steve Jobs e Steve Wozniak em 1976.

Lisbon Makerfaire 2015

Na Lisbon Makerfaire, que no ano passado começou como uma “mini Maker Faire” (sim, as Maker Faire regem-se por uma determinada organização que estipula a forma das mesmas nas suas múltiplas edições espalhadas pelo mundo) apresentam-se projectos ao público em geral, dando a conhecer o movimento, levando a que muitos “inventores de garagem” tenham pela primeira vez a prova de que, afinal não estão sozinhos, afinal há mais “malucos”. De igual forma, a Lisbon Maker Faire serve também para aproximar a comunidade em geral não só ao conceito mas também aos projectos lá apresentados levando a eventuais parcerias e novos projectos. Para além de tudo isso, é importante não esquecer a vertente lúdica do evento que, como passeio de família, garantidamente proporciona a miúdos e graúdos umas boas horas de entretenimento inteligente e bem disposto.

Bem, mas apresentada que está a Lisbon Maker Faire, voltemos aos meus amigos…

No fim-de-semana passado, um dos membros do OOZ Labs, o Basílio Vieira, esteve nas instalações de um dos patrocinadores da Lisbon Maker Faire, o AKI, apresentando em primeira mão, o projecto que o OOZ Labs levará à Lisbon Maker Faire 2015: o OOZ2MARS.

Basilio e o OOZ Labs no AKI

Imaginem um sistema que proporcione a experiência de conduzir um veiculo numa missão remota no planeta Marte. E foi nisto mesmo que, durante um dia inteiro o Basílio Vieira esteve a trabalhar no AKI, para todos quantos quisessem ter um pequeno vislumbre do que os pode esperar no grande evento da comunidade Maker portuguesa.

O projecto OOZ2MARS

Umas caixas de cartão, uns quantos tubos de plástico e… Desenganem-se. Há muita ciência por trás da aparente simplicidade. Há muitas horas de trabalho, de calculo e experimentação. Para quê? Isso agora não interessa para nada.

Vão lá ver, vão conhecer este e outros projectos que, quem sabe, lhes farão ver o mundo de forma diferente, dar uma nova oportunidade às ferramentas que estão a ganhar pó no fundo da caixa ou até, dar vida aquela ideia que pensavam ser só mais uma “maluqueira”.

Já agora, conhecem outros projectos que estarão na Lisbon Maker Faire 2015? Quais? Onde estão?

Assim como percebi que há muito quem não conheça o significado da palavra eclético, tenho ao longo do tempo percebido que também a expressão advogado do diabo é muitas vezes aplicada sem uso do correcto entendimento da mesma.

Há cerca de 25 anos atrás, no final de uma noite daquelas que só se podem ter aos 15 anos, chegava a casa de um amigo e estava com particular disposição para contrariar. Sabem como é, aqueles momentos em que resolvemos ser do contra porque sim, porque é próprio da juventude, porque a vida não nos corre como gostaríamos ou só porque faz parte da nossa natureza

Perante alguns argumentos de valor, pelo menos eu assim os entendia, e perante a minha clara e declarada vontade de seguir estudos na área do Direito, a mãe do meu amigo (que nesses tempos muito aturava os amigos do filho), emprestou-me um livro dizendo que eu daria um bom advogado do diabo. Uns anos mais tarde, disse-me que eu nunca lho tinha devolvido, que eu o perdi. Talvez, não me lembro, mas acredito que sim.

Pedro Rebelo O Advogado do Diabo

O Advogado do Diabo do Morris West

O Advogado do Diabo é uma obra escrita por Morris West em 1959 quando o autor, australiano, se encontrava em Itália a trabalhar como correspondente do Daily Mail no Vaticano. Eventualmente terá sido essa proximidade com a Igreja que o terá inspirado para esta e para as restantes obras em torno da temática tais como As Sandálias do Pescador, Os Palhaços de Deus e Lázaro.

Li o livro na altura e confesso, já me falham detalhes da história mas, foi de tal forma marcante para mim, que a expressão advogado do diabo é recorrente no meu discurso, muitas vezes utilizada em jeito de auto definição, justificando, da forma mais sincera possível, certas das minhas posições, muitos dos meus questionamentos.

A expressão advogado do diabo é a forma popular de referência a um membro da hierarquia Católica, o Promotor Fidei (Promotor da Fé), oficial da Congregação da Causa dos Santos, que desde 1588 é a prefeitura responsável pelos processos que levam à canonização dos santos.

Promotor Fidei, figura abolida da Igreja em 1983 pelo Papa João Paulo II, era um elemento do clero, versado em Direito Canónico, e que tinha como missão analisar de forma céptica mas muito próxima e detalhada, todas as possíveis falhas e incongruências na argumentação que sustentava os processos de canonização, desde a verificação de provas dos possíveis milagres às falhas de carácter dos indivíduos em causa.

No livro de Morris West, o advogado do diabo é um padre inglês, enviado a uma pequena cidade no sul da Itália para questionar o pedido de canonização que os habitantes dessa cidade fizeram para o padre Giacomo Nerone a quem são atribuídos vários milagres.

Na sua investigação, o advogado do diabo descobre que afinal Giacomo Nerone era um desertor do exercito inglês na Segunda Guerra Mundial e que, entre outros pecados, tinha um filho ilegítimo com uma mulher da vila.

Mas o advogado do diabo, sendo um padre é também um homem e, ainda que tendo sido escolhido para a função pela sua capacidade de distanciação (como refere o Cardeal que o nomeou: “nunca amou uma mulher, nem odiou um homem, nem sentiu piedade por uma criança”), não consegue evitar que no processo se criem relações com outros que, potenciadas pelo seu estado de saúde (sofria de uma doença sem cura que lhe degenerava o corpo) e pela reflexão sobre o que seria uma vida digna, lhe colocam dilemas a que o seu distanciamento sempre o tinha poupado.

O advogado do diabo hoje

Nos dias de hoje, a expressão advogado do diabo é usada muitas vezes como referência a quem argumenta contra determinado ponto de vista, sem particular crença ou objectividade, só pelo argumento em si. Não será o entendimento mais correcto. O advogado do diabo, apresentado de forma simples, será aquele que argumenta contra determinada posição, esmiuçando o mais possível todos os pontos que a fortaleçam, muitas vezes com o intuito de a testar e identificar potenciais falhas na sua estrutura.

Este fim de semana, na livraria da Cinemateca, encontrei O Advogado do Diabo. Não pensei duas vezes. A mãe do meu amigo, essa minha amiga, vai receber uma prenda. Mas acho que só depois de eu o ler outra vez.

p.s. E não, por favor, não digam que o advogado do diabo “é aquele do Keanu Reeves”. Se tanto, digam que é o Al Pacino.

 

O bacalhau estava no ponto. E infelizmente, as coisas boas a dizer do food corner do Chef Alexandre Silva no Mercado da Ribeira ficam por ai.

Acredito que outras pessoas tenham outras experiências. Acredito até, que numa outra visita possamos ter uma experiência diferente. Infelizmente, a visita que fizemos aos espaço do Chef Alexandre Silva este fim-de-semana, foi mesmo assim, menos boa.

Da ultima vez que tinhamos passado pelo Mercado da Ribeira para almoçar, chamou-nos a atenção a carta do espaço do Chef Alexandre Silva. Ainda que os pratos de carne se apresentassem com nomes particularmente atractivos (Barriga de Porco confitada, Hamburguesa de Boi ou Foccacia de Secretos), era por peixe que procurávamos nessa tarde e, coisas como Pica-Pau de Atum ou Bacalhau Confitado pareceram-nos boas apostas. Infelizmente, o Pica-Pau tinha acabado e isso desmotivou a estadia. Ficaria para uma próxima.

Regresso ao spot do Chef Alexandre Silva

E a próxima foi agora. Uma vez mais no Mercado da Praça da Ribeira para almoçar. Lá fora um calor infernal, lá dentro… Bem, se o Inferno (como dizia o Dante) tem sete níveis, digamos que estávamos no terceiro (ainda que não houvesse neve negra).

Mercado da Ribeira Pedro Rebelo

Depois da aventura que foi arranjar espaço para sentar (e sim, nós sabemos que a regra é primeiro ir buscar a comida e depois encontrar lugar mas convenhamos, isso resulta na maior parte das vezes em infindáveis minutos vagueando pelo recinto de tabuleiro na mão com todos os riscos que tal acarreta), lá fomos até ao espaço do Chef Alexandre Silva e, mantendo a carta a mesma oferta, foi simples a escolha: Bacalhau Confitado, salteado de broa, batatinhas, chouriço e azeite de trufa e, Pica-Pau de Atum, batata doce assada com mel e kimchi.

O tempo de espera não foi muito e isso poderia ser um ponto a favor mas, desculpem-me os menos críticos, vou ficar-me pelo elogio inicial: o bacalhau estava no ponto.

Os pratos do Chef Alexandre Silva

Se é certo que o bacalhau estava cozinhado no ponto, o mesmo não poderemos dizer das “batatinhas”. Aliás, como disse a Susana, dificilmente identificaríamos as “batatinhas” se não soubéssemos do que se tratava. Minúsculos cubos, quase cabendo entre os dentes do garfo, uns aparentemente salteados, outros literalmente crus. A broa, que deveria vir salteada, não a chegamos a ver ainda que acreditamos ser a base do caldo em que o bacalhau vinha a “nadar”. Sem um sabor distinto, uma base farinhenta que de tão fina não se conseguia “apanhar” com o garfo. Teria eventualmente um qualquer sentido se, pelo sabor adicionasse algo aos restantes elementos do prato mas nem por isso.

Bacalhau Chef Alexandre Silva Pedro Rebelo

Contrariamente ao caldo, já o chouriço, igualmente cortado em cubos diminutos, era de tão forte sabor que, mesmo não estando presente na garfada, facilmente fazia olvidar qualquer outro sabor do prato. Bacalhau? Estava no ponto. Sabor? Sabia a chouriço.

Veio depois o Pica-Pau de Atum e, sendo certo que não há tanto a apontar, é também certo que não havia muito por onde o fazer. Cubos de atum, ligeiramente (muito ligeiramente) braseados, parcos pedaços de batata doce assada e umas quantas folhas de rúcula pingadas, muito ao de leve, a mel.

Atum Chef Alexandre Silva Pedro Rebelo

Não digo que soltassem a fúria das sementes de sésamo ou papoila sobre o atum mas, sendo o braseado tão fraco, os pequenos pedaços de peixe pecavam por falta de textura sendo  a existente era um pouco bacenta e faltando algo de crocante que um toque mais de brasa lhe poderia dar.

Resumindo um desabafo que já vai longo, não ficámos convencidos. Aliás, nada convencidos. Acredito que noutro forum os pratos do Chef Alexandre Silva possam ter outro brilho, outro sabor mas, no seu espaço do Mercado da Ribeira, não nos vejo a repetir a experiência.