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Facebook a manipular emoções. Estudo comprova-o.

Uma equipa de cientistas ao serviço do Facebook publicaram recentemente um estudo na revista Proceedings of the National Academy of Sciences que comprova ser possível estar o Facebook a manipular emoções dos utilizadores desta rede. E como comprovaram eles tal facto? Manipulando-as.

Facebook a manipular emoções?

O estudo, intitulado “Experimental evidence of massive-scale emotional contagion through social networks” (Prova experimental do contagio emocional em larga escala através das redes sociais – tradução minha) mostrou que esta equipa de cientistas do Facebook manipulou o conteúdo que apareceu no feed de noticias de cerca de 700.000 (setecentos mil) utilizadores da rede de forma a determinarem até que ponto tais manipulações influenciariam o estado emocional dos utilizadores em questão.

O Facebook é nos dias que correm uma das principais fontes de informação para muita gente. É sabido que grande parte do tempo online é actualmente passado nesta rede e é comum ouvir dizer “Vou ao Facebook para saber das novidades, ver o que se passa”. O feed de noticias é o ponto central de toda esta interacção, o local onde vemos os updates que todos quantos seguimos vão fazendo, textos, imagens e vídeos.

Foi precisamente sobre o feed de noticias que a equipa de cientistas do Facebook actuou e, durante uma semana, alteraram os algoritmos da rede de forma a controlarem o que cerca de 700.000 utilizadores recebiam no seu feed de noticias fazendo com que determinados utilizadores vissem essencialmente posts contendo termos alegres e positivos enquanto outros utilizadores veriam mais conteúdo com termos negativos e que denotavam tristeza.

Conceitos de Psicologia aplicados ao Facebook

Há muito que os psicólogos sabem que a exposição constante a estados emocionais mais presentes que outros tende a levar à adopção desses mesmos estados.

Com a alteração ao algoritmo da rede, a equipa de cientistas verificou que, ao final de uma semana, os utilizadores que tinham sido expostos a posts essencialmente positivos, faziam eles próprios mais conteúdos positivos ao passo que os utilizadores que viram no seu feed de noticias mais posts negativos escreviam também com maior negatividade.

Prova-se assim que o efeito contagioso dos estados emocionais funciona de igual forma online, e desta forma comprova-se também a possibilidade de ter o Facebook a manipular emoções.

Antes de mais desenvolvimentos, duas questões:

Se é possível o Facebook a manipular o feed de noticias de 700.000 utilizadores, o que o impede de manipular o feed de noticias de  5 milhões (aproximadamente o numero de utilizadores do Facebook em Portugal) ou de todos os utilizadores?

Comprovado ser possível estar o Facebook a manipular emoções dos utilizadores, o que é que isto significa para as marcas?

Diz a Forbes que o Facebook é o melhor laboratório de pesquisa humana de sempre. Sim, literalmente quer com isto dizer que o Facebook tem nos seus utilizadores um gigantesco e fantástico grupo de cobaias humanas. Gigantesco pelas razões óbvias. Grande parte da população humana, cruzando raças e credos, está presente nesta rede. Fantástico pois, contrariamente a outros laboratórios científicos, o Facebook não precisa de pedir aos seus utilizadores que concordem com cada uma destas experiências mais ou menos éticas que a rede resolva promover pois cada utilizador já concordou com a política de utilização de dados da rede onde é claramente expresso que concorda que a sua utilização da rede possa ser usada para efeitos de pesquisa.

As questões éticas sobre a utilização da informação para efeitos de pesquisa levantam-se aqui (na minha opinião, distraindo um pouco da verdadeira questão, mais do que a utilização da informação, a manipulação da mesma) mas a equipa do Facebook apressa-se a comunicar que, não só a pesquisa só durou uma semana (ou seja, foi pouco tempo e por isso não faz mal) como nenhum dos dados tratados terá sido associado a um determinado utilizador. Segundo a revista The Atlantic a expressão usada terá sido “Não há qualquer tipo de recolha desnecessária de dados pessoais nestas iniciativas de pesquisa e todos os dados são guardados de forma segura.”.

Adam D. I. Kramer, um dos cientistas do Facebook que participou no estudo, afirmou na sua página desta rede social:

“No fim do dia, o verdadeiro impacto nos utilizadores envolvidos nesta experiência foi o mínimo necessário para ser estatisticamente detectável. (…) Tendo eu mesmo escrito e desenhado esta experiência posso dizer-vos que nunca foi o nosso objectivo incomodar alguém…”

“Nunca foi o nosso objectivo incomodar alguém…”. Pergunto-me se não terão incomodado. Pergunto-me se, considerando a importância dada à rede em questão e o facto desta representar para tanta gente a sua presença online, ter o Facebook a manipular emoções, por leve que seja a manipulação, não será incomodativo? Que resposta menos simpática terá dado um certo utilizador por só ter visto posts carregados de negatividade durante uma semana? Que post, eventualmente alegre demais, terá colocado um outro utilizador na página da empresa pela qual é responsável, por ter estado num constante estado de boa disposição durante uma semana?

“Provavelmente ninguém foi levado ao suicídio” foi o bem humorado comentário que um professor fez no Twitter referindo-se a esta experiência do Facebook onde acrescentou a hashtag #jokingnotjoking. Pois, quem sabe?

Tweet sobre Facebook a manipular emocões

Podem  estados de euforia ou tristeza ser causados por uma miríade de outras circunstancias e factos? Sim, claro. Mas não é essa a questão que se me coloca como problemática. O problema na minha opinião, está na possibilidade de o Facebook propositadamente induzir a tais estados e, para além das questões éticas sobre as formas como o estudo terá sido conduzido (e que estranhamente parece ser a maior preocupação dos media), as possibilidades menos éticas que esta recentemente tornada pública possibilidade (e sim, esta utilização das palavras não é em mim inocente, de todo) vem abrir, principalmente a todos quantos possuírem a capacidade de influenciar quem controla o Facebook.

Facebook controla o conteúdo que disponibiliza aos utilizadores

Não é novidade, ainda que raramente referido pelos Media e menos ainda pelos marketers, que o Facebook controla o feed de noticias dos utilizadores em conformidade com o seu interesse. Lembre-se a gigantesca campanha (mesmo que não assumida) de aproximação aos Media online quando em 2013  grandes sites noticiosos começaram a ter um aumento inexplicável de visitas vindas do Facebook. “Ligeiras” alterações ao algoritmo do Facebook, modestamente anunciadas, levaram a um repentino e nunca visto aumento de tráfego em sites como o Gizmodo, Buzzfeed ou The Wire…

Definir que conteúdos, de entre os cerca de 1500 possíveis, vão aparecer no feed de noticias de um utilizador, tendo como critério interesses próprios e não declarados já é grave. Mais grave ainda será a possibilidade do Facebook  manipular as emoções dos utilizadores através da escolha desses mesmo conteúdos.

Como costumo dizer, não devemos esquecer que o Facebook é uma empresa e, como muitas outras, tem como uma das suas principais prioridades, ganhar dinheiro.

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Abduções, carros voadores e fotografia

“Abduções é palavra que raramente se ouve e que para alguns de nós, quando ouvida, de imediato nos remete ao universo de X-Files (Ficheiros Secretos em Portugal). De igual modo, carros voadores, ainda que um termo mais comum para apreciadores de ficção cientifica ou mesmo para quem leva com ela sem apreciar, remete igualmente para uma visão ficcionada de um futuro que insiste em não chegar mas que é esperado há muito.

Abduções, carros voadores e fotografia

Ontem conheci a obra do fotografo Renaud Marion, mais precisamente, a sua série de fotografias iniciada no inicio de 2013 que intitulou de Air Drive (obrigado Jorge Rosa. Cheguei lá através do link para os Flying Citroen Cars do Jacob Munkhammar).

fotografia de Renaud Marion

Esta série, com os seus carros vintage, modelos automóveis de outras épocas, com as suas cores  e tons, transporta-me (não fosse esse o sentido de um automóvel e, eventualmente, de uma fotografia) a um imaginário que poderei chamar de retro-futurista, um espaço roçando um steampunk moderno, movido a diesel e não a carvão.

fotografia de Renaud Marion

Numa referência à cultura pop nacional, Air Drive lembra-me a Grande Cidade de Claxon, a série portuguesa da década de 90, e a cada nova fotografia espero ver António Cordeiro a aparecer num qualquer canto, taciturno, encolhido na sua gabardine.

fotografia de Renaud Marion

Da França para Portugal

Mas Air Drive lembrou-me ainda outra coisa. A magnifica série fotográfica que o meu amigo Pedro Moura Pinheiro, fotógrafo exquisite e extraordinaire, tem realizado desde 2008 e que chamou de Pixel Abductions (já aqui referida em tempos).

leisure hover on the promenade

Numa técnica semelhante, Pedro Moura Pinheiro leva-me também a um outro tempo, talvez a um outro espaço, que pela diferença no sujeito da fotografia, no enquadramento e na cor, me lembra narrativas distópicas (e note-se, eu gosto de distopias), futuros tecnológicamente avançados e dispositivos de controlo.

Looking for a new place to stay.

O candeeiro, em si objecto estranho na noite, não natural, está lá para dar luz mas não para iluminar caminhos, iluminar vidas. O candeeiro, objecto não identificado, dará visibilidade ao corpo (quase inexistente na série) mas só em caso de necessidade e não do corpo em si mas da máquina que está por trás, por cima, que regula e observa o cumprimento.

three scouts

Mas enfim, isto seria entrar na percepção e entendimento da estética (enquanto experiência sensível) de quem vê. Prefiro que vejam, olvidando os meus pre-conceitos. Depois, voltem cá e digam o que acham.

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Direitos de Autor no Facebook

The Painter of (another) Modern Life by Pedro Rebelo

Existem no mundo, e mesmo no mundo dos artistas, pessoas que vão ao museu do Louvre, que passam rapidamente, e sem sequer lhes conceder um olhar, diante de uma multidão de quadros muito interessantes, embora de ‘segunda ordem’, e se plantam sonhadores diante de um Ticiano ou de um Rafael, um desses que a gravura mais popularizou; saem depois satisfeitas, dizendo algumas delas de si para si: ‘Conheço este museu’. Existem também pessoas que, tendo lido um dia Bossuet e Racine, aceitam estar na posse da História da Literatura.

Baudelaire in O Pintor da Vida Moderna

“Deixem-me em paz… Estou de sabática…” Ouvia-se ontem em alto e bom som, ao final da tarde,  numa sala quase vazia, de uma academia lisboeta… Mas que raios, obrigam-me a escrever… E eu que estava ali tão sossegado.

Sobre o Direito de Autor e as imagens no Facebook

A partir do momento que fazemos upload de uma imagem para o facebook, perdemos os direitos sobre ela…

Errado. Ao colocar uma fotografia no Facebook nós não perdemos os direitos sobre a imagem. Nós só damos alguns direitos ao Facebook, não invalidando de forma alguma os nossos.

O Facebook pode usar a minha fotografia? Pode claro. Eu permiti ao aceitar que “you grant us a non-exclusive, transferable, sub-licensable, royalty-free, worldwide license to use any IP content that you post” (o uso dos termos em inglês deve-se à chamada de atenção do próprio Facebook relativamente a prioridade desta lingua sobre qualquer dúvida que possa surgir proveniente das traduções).

Non-exclusive. Onde está a dúvida? Não é exclusivo.

A atribuição de direitos de imagem ao Facebook não retira os direitos ao autor da mesma.

… a imagem passa a ser propriedade do facebook, logo os direitos que tens sobre a utilização da mesma vão à viola.

Errado. Já ficou esclarecido não vos parece?  Os Termos de Serviço do Facebook são claros. A grande questão que aqui se coloca é: Quem disse “… perdemos os direitos sobre ela…” percebeu os TOS? Ou melhor, chegou a ler os TOS?

Se podem ser usadas pelo facebook, podem ser usadas por todos, porque o facebook somos nós. Estamos a entrar num admirável mundo novo onde muita coisa terá de ser redefinida, a começar pelos direitos de autor. Se ainda existem é na teoria, porque na prática já lá foram há muito tempo.

Deusas, esta merece um apurado trabalho de decomposição…

Onde está escrito que os direitos do Facebook são os direitos de todos nós? Não vou entrar pela retórica retorcida do “o facebook somos nós”. Eu não me lembro de já me terem sido creditados dividendos das acções do Facebook e enquanto tal não acontecer…

Ora vejamos, se o autor destas palavras (as que se encontram entre aspas) for à minha conta do Flickr, fizer o download de uma fotografia e posteriormente, o upload da mesma para o Facebook, quem lhe deu permissão para tal?  Aliás, segundo o próprio Facebook, “You will not post content or take any action on Facebook that infringes or violates someone else’s rights”.

É preciso ser mais claro? Diz o Facebook: “Não publicarás conteúdo ou tomarás qualquer acção que infrinja ou viole os direitos de outra pessoa.”.

E se eu não lhe der permissão para usar a minha fotografia, ele está efectivamente a violar os meus direitos (e numa conversa mais informal esta seria a altura em que eu diria “só se me derem beijinhos no pescoço”). E quando essas coisas acontecem, há problemas… O caso da página do Cool Hunter diz-vos algo? 788.000 Likes era quanto valia aquela página.

Lembro-me do dia em que a dita página publicou no Facebook uma fotografia do meu amigo Pedro Moura Pinheiro… Lembro-me também de não terem feito qualquer referência ao autor. Lembro-me ainda da quantidade absurda de comentários que foram colocados nessa mesma fotografia referindo o autor e o quão injusto era o Cool Hunter não o identificar. E sabem do que é que me lembro mais?

788.000 Likes e o Facebook fechou a página por violação de direitos de autor!

“Se ainda existem é na teoria…” Vão lá ao Cool Hunter perguntar-lhe o que ele pensa da teoria…

This account has been disabled due to repeat copyright infringement under our terms and the account has been removed from the site accordingly.

Sim, foi a resposta oficial do Facebook. Esta conta foi encerrada devido a repetidas infrações aos direitos de autor, blá-blá-blá, blá-blá-blá…

Enquanto pessoas que vivemos no digital (passamos aqui grande parte, a maior parte das nossas vidas) temos o dever, a obrigação, de esclarecer quem não sabe sobre o tema. Enquanto profissionais, devemos ser regidos por um qualquer sentido ético que nos leve a acreditar que, quanto melhor tratarmos os nossos Clientes, melhor será para todos. Enquanto, por exemplo, Gestores de Comunidades, podemos ser evangelistas de um medium onde ainda há muito por explorar mas sem esquecer que há igualmente necessidade de regular.

O que não podemos é escrever barbaridades como “Já não há Direitos de Autor”!

Uma das razões que me levou a Ciências da Comunicação foi o desejo de poder falar com maior propriedade, autoridade, sobre alguns temas e termos que, sempre entendi, serem muitas vezes levados com demasiada leviandade. E garanto-vos, como gosto quando tenho uma oportunidade de dar por bem empregue o tempo que tenho dedicado a ser um estudioso da comunicação.

Antes de Aldous Huxley, um outro senhor, Shakespeare de seu nome, já se tinha referido a um Brave New World e, tal como na obra deste fez Miranda, perante ignóbeis figuras que via, também na obra de Huxley, John, o “Sr. Selvagem”, disse “Oh, admirável mundo novo, que encerra criaturas tais!”.

Agora, é preciso ler Admirável Mundo Novo, ou pelo menos A Tempestade, para reconhecer a ironia de tal frase…

p.s. Tenho o Admirável Mundo Novo em papel, numa edição da Colecção Dois Mundos. Infelizmente não o tenho aqui comigo mas sei que, caso precise, não deve ser difícil de encontrar um qualquer ficheiro com a obra na Internet. E não me envergonho nada se tiver que o ir buscar ok?

p.s.2 O post esteve para se chamar “Os Direitos de Autor, o Facebook e o Francisco” mas depois pensei: Há para ai tanta gente a quem isto pode interessar…

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Sherlock Holmes encontra Doctor Who

Tivesse a Granada Television pensado em algo deste género nos tempos do saudoso Jeremy Brett e o conceito de Transmedia podia ter evoluído muito mais depressa… Mas fica a nota BBC: Ainda vão a tempo. O Sherlock Holmes de Benedict Cumberbatch também não está nada mal…

E ainda há quem pense que os fãs não participam em Who…

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Parenting. We’re doing it right!

E este foi mais um desenho que a Patrícia fez na escola para nos oferecer…

Doctor Who, Martha Jones, a Tardis e uns quantos inimigos

Para bom entendedor, um desenho basta. Para os que não estão dentro do tema: O Doutor, a Martha Jones, a Tardis e alguns dos seus inimigos…

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