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Polaroids. Impossíveis.

Um destes dias, respondi a um questionário que me foi enviado pela equipa do The Impossible Project e uma das questões era sobre o numero de packs de filme Impossible que tinha usado no ultimo ano.

Não sei, não faço ideia. Com um pouco de esforço até era capaz de descobrir, mais ou menos… Tenho uma noção de que fotografias tirei e quando mas, nada de muito certo. Dei uma olhada pelos cantos da sala e encontrei uns quantos packs vazios…

Polaroids que tenho comprado na Capitão Lisboa - Pedro Rebelo

Há hábitos que ainda não ganhei e que poderiam ajudar a ter essa informação, como escrever em todas as fotografias a data ou manter de uma qualquer forma um registo do que vou fotografando com as minhas Polaroid. Pois… Ainda não ganhei tais hábitos e confesso, não sei se vou ganhar.

É aqui que se levantam algumas vozes dizendo: “Vês? Se fotografasses em digital sabias isso tudo, não tinhas que te preocupar com esses detalhes…” mas convenhamos, também não estou preocupado certo?

Efectivamente, a maior parte das vezes, quando tiro uma fotografia com uma das minhas Polaroids, só estou a pensar na fotografia em si, no que irá sair dali (que nunca sei bem o que pensar), e no momento em que a vou estar a mostrar a alguém… Entretanto penso também em como a vou guardar e, acreditem ou não, penso em como estará daqui a uns tempos, uns meses, uns anos, quando um dia a encontrar, no meio de um qualquer livro ou caída atrás de um móvel (sim, que nem sempre me lembro de as colocar dentro das caixas). Ultimamente, dou comigo também a pensar se a vou digitalizar, se a vou incluir no Impossible Polaroids

Bem, mas isso agora não interessa para nada. Falava-vos do questionário da The Impossible Project. Perguntavam-me se tinha usado 10 ou mais packs no ultimo ano… Sim, considerando a fotografia ali em cima, posso dizer que sim. E a Capitão Lisboa também. Nesta loja, não só podem comprar filme para as vossas Polaroid, como também lá poderão encontrar as próprias máquinas e outros acessórios da The Impossible Project. E para além disso, podem ainda contar com toda a simpatia da equipa.

E não, não é publicidade encapotada. É mesmo porque gosto da casa.

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A estética Burning Man

Talvez já tivesse passado pelo meu olhar, algures no passado, uma qualquer referência ao festival Burning Man (é bem provável considerando que existe desde 1986 e, de alguma forma está próximo de alguns dos meus temas de interesse) mas só este ano, numa aula de Cultura Pop (lecionada pelo Professor Dr. Jorge Rosa no âmbito do Mestrado em Culturas Contemporâneas e Novas Tecnologias da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa – fiquei cansado) lhe dediquei mais atenção, aquando da apresentação por parte de uma colega minha, de um trabalho em torno deste festival.

Fotografia de Erica Martin, publicada no seu blog

Fotografia de Erica Martin, publicada no seu blog

Mas o que é o Burning Man?

Para quem não conhece, trata-se de um evento que se realiza nos Estados Unidos, mais precisamente no Black Rock Desert ao norte do estado do Nevada onde, entre a ultima segunda-feira de Agosto e a primeira de Setembro, dezenas de milhares de pessoas se juntam para criar uma cidade efémera, como refere a organização, uma metropole temporária, dedicada à arte, à expressão pessoal e ao espirito de comunidade, com a grande particularidade de que, quase tudo nesta “cidade” é construído pelos seus “cidadãos” que se tornam assim, mais que simples visitantes, colaboradores activos do espaço desde a sua génese.

Todo o conceito se encontra envolto em inúmeras polémicas que vão desde o seu propósito (será uma expressão contra-cultura, um ataque ao estilo de vida capitalista, um espaço de puro niilismo?) até à mais recente “apropriação” por parte de grandes corporações, de espaços reservados a visitantes VIP, com direito a tratamento diferenciado onde, e citando uma participante, “em vez de re-educar o 1%, o espaço só serve para reforçar as divisões de classes no mundo real“, mas, independentemente disso, independentemente da forma como queiramos olhar e entender o evento, há um dado a que não passará alheio quem se debruce um pouco que seja sobre o Burning Man: é um espaço com uma imagética única, de uma riqueza visual extraordinária.

Fotografia de Erica Martin, publicada no seu blog

Fotografia de Erica Martin, publicada no seu blog

Burning Man, um espaço para Hippies?

Ainda que constantemente seja associado à estética (enquanto experiência do sensível, o que, neste caso em particular muito se adequa sem distinguir sentidos) hippie, o Burning Man é essencialmente, e como dá a entender Brian Doherty no seu livro This Is Burning Man: The Rise of a New American Underground, um espaço que podia ter saído de Mad Max, um espaço mais próximo de uma distopia futurista onde punks, cyberpunks, technopunks, steampunks e, como li algures, punk punks, vivem sabendo que o mundo lá fora é outro, com regras e ordens mas que ali, em Black Rock City, se podem esquecer delas (ainda que, como em qualquer distopia que se preze, esse esquecimento, essa liberdade, seja só uma ilusão).

Todo este ambiente contribui para a tal imagética que, só por si, faz do Burning Man um evento a considerar. Foi o que fez Erica Kelly Martin, fotografa que, tendo um entendimento bastante diferente do meu relativamente ao evento, registou imagens fantásticas que nos deixam com vontade de conhecer mais sobre o tema.

Fotografia de Erica Martin, publicada no seu blog

Fotografia de Erica Martin, publicada no seu blog

O Burning Man foi-me lembrado por um artigo no Lenscratch mas podem ver mais do trabalho de Erica sobre este evento no seu blog e no seu site pessoal.

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Ainda o Walter Benjamin…

Pedro Rebelo outra vez a revisitar o Walter Benjamin

Fazer as coisas “ficarem mais próximas” é uma preocupação tão apaixonada das massas modernas como a sua tendência a superar o caráter único de todos os factos através da sua reprodutibilidade. A cada dia fica mais irresistível a necessidade de possuir o objeto, tão perto quanto possível, na imagem, ou antes, na sua cópia, na sua reprodução. A cada dia fica mais nítida a diferença entre a reprodução, como ela nos é oferecida pelas revistas ilustradas e pelas atualidades cinematográficas, e a imagem. Nesta, a unidade e a durabilidade se associam tão intimamente como, na reprodução, a transitoriedade e a repetibilidade.

Walter Benjamin

Sendo um desabafo meu, poderia ser esperado que tivesse um intento, um claro objectivo, radicalmente, um alvo.

Não tem. Não agora, não aqui. Serve essencialmente para me lembrar que não desisto, para me lembrar que aprendi cedo que o poder se conquista e que, mesmo que várias formas possam contribuir para tal, umas terão mais valor que outras e dependerá dessas o respeito que o poder nos merece, logo, a força do mesmo.

 

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Fuji Instax: The Subway Tower

Ainda na minha aventura de experimentar a Fuji Instax, continuo a andar com ela na mala todos os dias, na esperança de me lembrar que ela ali está quando me cruzar com um daqueles momentos que não podem deixar de ser fotografados.

Esses momentos acontecem, estou certo, todos os dias, várias vezes ao dia. Mas nem sempre olhamos para eles com verdadeiros olhos de ver ou estamos mais concentrados a ver o momento ao lado.

Depois surgem aqueles outros momentos, que só são dignos de ver aos nossos olhos, que só para nós dizem algo.

Este foi um desses momentos. Olhar para a entrada do Metro em Alvalade, enquanto esperava que a Patrícia saísse da escola, e pensar: “Isto tem sentido.”.

Fuji Instax Pedro Rebelo Subway Tower

Através do meu olhar, o poste ganhou vida na minha cabeça. Abri a mochila, tirei a Instax e carreguei no botão. A fotografia saiu, esperei e… Consegui. O detalhe estava lá. Exactamente o que eu tinha imaginado.

Um pouco mais tarde, quando a Patrícia chegou, sem qualquer introdução, mostrei-lhe a fotografia que tinha tirado.

“Que fixe pai. Parece assim uma torre gigante, um arranha-céus do Metro, com uma porta pequenina aqui em baixo…”.

E pronto, o tal momento que para mim tinha todo o sentido, ali, cristalizado num pequeno rectângulo de papel, tinha para a minha filha um sentido idêntico.

Se já estava feliz, mais fiquei.

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Fuji Instax e a magia da fotografia instantânea

Através da página do Facebook da Fujifilm Instax PT, perguntei à Fuji se me podiam dar algum argumento de valor que me convencesse a usar uma das suas máquinas fotográficas instantâneas em vez de usar uma Polaroid.

A resposta não foi, de todo, aquilo que eu esperava:

A resposta da Fuji Instax PT

Caro Pedro! Trata-se de uma questão de gosto pessoal realtivamente à câmara. Quanto ao preço, 89 €

Vá lá, agora a sério. Não se dá esta resposta.

Um “argumento de valor”? Será assim tão difícil de entender? E logo numa das mais usadas redes sociais online?

Este era um bom momento para escrever sobre a forma como as empresas estão nas redes sociais online, como se portam, como respondem aos utilizadores, como percebem as próprias redes. Era, era um bom momento. Não o vou fazer. Fuji, se quiserem, terei todo o gosto em conversar convosco sobre o tema ok?

Não tendo a equipa da Fuji conseguido convencer-me, optei por outra estratégia e assim que pude, comprei uma Fuji Instax.

Não é uma daquelas Fuji Instax bonitinhas que agora se encontram por ai em cada loja. Essas são as Fuji Instax Mini 8, com piada e coisa e tal mas, os tais 89 euros que elas custam ainda estão um pouco além do que eu estou disposto a pagar para experimentar uma máquina fotográfica. Para além disso, confesso que acho muito mais bonitas as Fuji Instax Mini 50s ou as novas Fuji Instax Mini 90 mas em qualquer dos casos, o valor a pagar seria ainda maior e como tal, de momento, fora de questão.

Comprei uma Fuji Instax 100 Wide.

Fuji Instax 100 Pedro Rebelo

Sim, eu sei, é um monstro de máquina fotográfica. É gigantesca, uma enorme massa de plástico que, quando se liga, fica ainda maior graças à sua lente extensível. E é roxa. Sim, roxa.

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Também é uma máquina antiga, que já não se fabrica. Esta é de 1999 e mesmo o modelo que a veio substituir, a Fuji Instax 200 Wide também já não é fabricada…

Então porque diacho fui eu comprar uma Fuji Instax 100 Wide? Porque as fotografias que ela tira hoje são iguais às que tirava em 1999. Bem, eu não tinha uma destas em 1999 mas já vi suficientes fotografias tiradas por outras Fuji Instax na altura e que me convencem disso.

É uma aventura garanto-vos, e não me parece que vá ser fácil convencer-me a trocar as Polaroids pela Fuji Instax mas, convenhamos, a Fuji Instax tem efectivamente argumentos de valor:

  • O preço do filme

Cada caixa com 2 embalagens de 10 fotografias cada custa 22€, ou seja, o mesmo que custa uma caixa com 8 fotografias para a Polaroid.

  • A questão do instantâneo

Quando se tira uma fotografia com a Fuji Instax a mesma começa a aparecer ao fim de 2 a 3 minutos, coisa que não acontece com as Polaroid que actualmente (e sobre isso escreverei noutra altura) demoram pelo menos 10 a 15 minutos até que se veja alguma coisa.

  • O nome Fuji

A Fuji mantém a produção de filme para as suas máquinas instantâneas há mais de 30 anos e não se prevê que deixe de o fazer tão cedo, como se pode imaginar tendo em conta o investimento nas novas gamas da Fuji Instax. Eu apoio o projecto que trouxe de volta à vida as Polaroid mas, mesmo com todo o sucesso que tem alcançado, ainda não deixa de ser um projecto.

E esta foi uma das primeiras fotografias a sair, literalmente, da Fuji Instax 100:

E vocês? Deixariam a máquina fotográfica digital em casa para carregarem uma Fuji Instax?

 

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