Sobre o Pedro Rebelo

A escrever na Web, sobre a Web, a Vida, o Universo e tudo o mais desde... Bem, desde há muito, muito tempo. Da família ao Social Media, das simples curiosidades aos temas da Web Strategy, de tudo um pouco...

Author Archive | Pedro Rebelo

Telsão Electrodomésticos, nem tudo o que brilha…

Podia escrever aqui uma daquelas introduções enormes, cheia de floreados e palavras caras mas para que se esclareça desde já o tema aqui fica: Telsão Electrodomésticos não é loja onde comprar electrodomésticos. Independentemente do preço.

O melhor preço não é tudo. O serviço prestado também conta.

Perante a necessidade de comprar um novo frigorifico começamos por pesquisar na Internet marcas e modelos bem cotados no mercado. Depois de muitas leituras e opiniões de amigos e conhecidos, a escolha estava entre duas marcas que eram reconhecidas pela excelência da qualidade ainda que não fossem as mais baratas do mercado: Bosch e Siemens (ambas construídas pelo mesmo fabricante e, nos modelos em questão, muito semelhantes, mudando apenas o logotipo da marca e a cor de alguns plásticos interiores).

Já que estávamos a fazer pesquisas online, continuámos nesse caminho e resolvemos também pesquisar sobre quais as lojas onde poderíamos obter o melhor preço. Ficámos impressionados com a presença e valores que a loja Telsão Electrodomésticos apresentava. Em tudo quanto era site de comparação de preços, os modelos que procurávamos apareciam com melhor valor nesta loja.

Nós, tal como a generalidade das pessoas, se pudermos gastar menos não iremos gastar mais e como tal pareceu-nos uma boa opção visitar a loja em questão.

Tendo em consideração o site da Telsão Electrodomésticos estranhámos encontrar uma loja tão pequena, basicamente um pequeno escritório onde se amontoam alguns electrodomésticos em caixotes. Moderno – pensámos nós – uma operação tipo Amazon. O Cliente encomenda, eles adquirem e entregam. Sem stock, sem problemas. Pois. Pensávamos nós…

Bosch, Siemens, Balay… É tudo o mesmo…

Fomos alegremente atendidos e explicado o que ali nos levava a senhora por trás do pequeno balcão logo se prontificou a nos arranjar o melhor preço. Mas não se ficou por ai. Sabido que era que procurávamos um frigorifico Bosch ou Siemens, a senhora sugere-nos de imediato a marca Balay. “É tudo o mesmo. O fabricante é o mesmo, o distribuidor e o suporte também… Aliás, são iguais mas a Balay é a terceira gama. Bosch, Siemens, Balay. Leva o mesmo equipamento para casa mas paga muito menos.”. Um argumento de peso principalmente tendo em conta que falávamos de diferenças na ordem das centenas de euros como já tínhamos visto noutras lojas.

Enquanto a senhora da Telsão Electrodomésticos pesquisava online (curiosamente num comparador de preços – e isso devia logo ter-nos alertado), aproveitei também para uma rápida pesquisa no sentido de confirmar a informação. Aparentemente sim e, até pelas imagens dos vários frigoríficos que encontrámos online, facilmente verificar que eram os três muito semelhantes. Uma vez mais, as diferenças eram essencialmente os logotipos das marcas e alguns plásticos interiores. Faça-se o negócio.

O compromisso fica assumido. “A entrega do equipamento é feita no prazo máximo de 5 a 8 dias úteis mas nós telefonamos a meio desta semana – era Sábado – para confirmar a data.”. Que seja.

Nesta altura lembrámos-nos de um dado importante: devido à localização do frigorifico na nossa cozinha, a porta do mesmo terá que abrir da direita para a esquerda ou seja, ao contrário do que normalmente se encontra nos frigoríficos. A senhora da Telsão Electrodomésticos diz-nos que não será razão de problema. Quando forem entregar o equipamento poderão de imediato fazer a modificação da porta mas isso irá implicar um acréscimo de 80 euros (só pela alteração pois a entrega é gratuita). Bem, 80 euros pareceu-nos um pouco exagerado mas, se tem que ser tem que ser. Pagámos o frigorifico na totalidade e saímos aguardando o telefonema.

Telsão não cumpre o prometido

Passou o meio da semana e o fim da semana também. Da Telsão Electrodomésticos não havia novidade. Na semana seguinte ligámos para lá na segunda-feira. As desculpas do costume, que já tinham enviado um e-mail, que não tinham resposta, que nos ligavam ainda nesse dia. Informámos na altura que, se não nos entregassem o frigorifico até quarta-feira, queríamos a devolução do dinheiro. O dia chegou ao fim e ninguém nos ligou.

Na terça-feira voltámos a ligar. E o e-mail, e os atrasos e que coisas e cenas. Voltámos a lembrar que, caso não nos entregassem o frigorifico no dia seguinte, desistiríamos da compra. Garantiu-nos a senhora (a mesma com quem falámos no dia anterior e a mesma que nos atendeu na loja) que ainda durante esse dia nos iria telefonar. Quer tivesse frigorifico quer não tivesse frigorifico, que nos ligava. Adivinhem? Ninguém nos ligou da Telsão.

Quarta-feira lá fomos nós direitinhos à Telsão Electrodomésticos. Ainda mal tínhamos começado a falar e a senhora levanta-se e diz “Já sei qual é a situação.”. Dirige-se para a parte traseira da loja e não nos diz mais nada deixando-nos ali ao balcão. Lindo. Volta passado um bom bocado dizendo: “Terça-feira que vem. Temos o frigorifico para entrega terça-feira que vem.”. A sério? Mais uma semana? Mas afinal, o que se passou? Não fizeram a encomenda? Não havia stock no distribuidor? Isso agora não interessa para nada. Não há frigorifico, queremos desistir da compra.

Ainda antes de avançar com a desistência questionámos a senhora pelo serviço. Se não havia o frigorifico para entrega porque não nos disse antes? E porque raio se comprometeu a telefonar para nós e não o fez? Duas vezes? A resposta não foi o que estávamos à espera: “Tenho muito trabalho. O telefone não pára de tocar, os Clientes estão sempre a entrar, as coisas estão atrasadas, não consigo tratar de tudo, não posso andar a telefonar para Clientes…”. Como é que diz que disse?

Pedimos então a devolução do dinheiro que pagámos pelo frigorifico. E pediu-nos a nós o “papel” que nos tinha dado aquando da compra. Literalmente, o papel. Uma impressão do site onde foi verificar as especificações do frigorifico e onde tinha anotado à mão o valor que nos fazia pelo mesmo. Note-se: Não era um recibo, não era uma guia ou factura. Era a impressão de um qualquer site onde eram apresentadas as tais especificações. Dissemos que não o tínhamos connosco (assim pensávamos). E quando dissemos isto a resposta que nos foi dada foi? “Então não faço a devolução”. Como é que diz que disse?

Livro de Reclamações

Se quer o Livro de Reclamações não devolvo o dinheiro

Por acaso o papel em questão estava bem dobrado no fundo da mochila mas se não estivesse, queria ver como era… Mas para que raio precisa do papel? “Porque sim. E sem papel não faço a devolução”. Claro. Papel em cima do balcão e era mais que tempo de pedir o que há muito devia ter sido pedido: Traga por favor, o Livro de Reclamações. E qual não foi o nosso espanto quando ouvimos: “Se quer o Livro de Reclamações, então não faço a devolução.”. A situação tornava-se surreal.

Vai recusar-se a fazer a devolução do dinheiro? “Se quer o Livro de Reclamações então vou seguir o Decreto Lei…”. Importa-se de explicar – perguntamos nós. “Explicar o quê?” O que quer dizer com isso do Decreto Lei. “Não conhece? Eu também não…”. Hora de acabar o diálogo e escrever.

Foi para dentro e voltou, mostrando-nos em mão um comprovativo de transferência bancária (com data da operação da próxima terça-feira. Devia estar contente por ter levado a dela adiante, só nos daria o dinheiro dai a 5 dias) mas recusou-se a dar-nos copia do documento.”Não tenho fotocopiadora.”. Não é preciso. Eu tiro uma fotografia. Não queríamos perder mais tempo. Só sair dali e ir comprar um frigorifico. Numa loja séria.

E querem saber que mais? Comprámos um frigorifico.

Saímos da Telsão Electrodomésticos em direcção ao Alegro em Alfragide para ir à Box do Jumbo. Chegados, verificámos que o modelo de frigorifico que procurávamos não existia na loja. Bosch só havia em branco mas nós queríamos em Inox. Siemens nem sequer havia nenhum. Perguntámos ao empregado que lá estava se haveria em armazém e, com enorme simpatia, prontamente foi verificar. Não demorou muito para que tivéssemos novo negócio feito. Entre o preço do frigorifico, uma campanha de desconto em vigor e o facto de não nos cobrarem nada pela modificação das portas (note-se: não é o Jumbo que não cobra. Segundo o que nos foi dito é a própria marca do equipamento que não cobra por este serviço), acabámos por adquirir o modelo de 1ª gama, o Bosch, por um preço inferior ao que pagámos pelo equipamento de 3ª gama, o Balay.

Teve um final feliz a história mas não deixa de ter umas quantas lições de moral menos alegres:

  • Na Internet, nem sempre os primeiros a aparecer são os melhores. Mesmo quando assim parece.
  • O preço é importante mas o serviço não lhe deve ficar atrás em grau de importância.
  • Compras na Telsão Electrodomésticos, nunca mais.
Comments { 6 }

Tártaro de Atum. Nem só de carne vive o homem.

Tártaro de atum. Porque sim. Lembrei-me disso um destes dias e não fui de modas. Manhã cedo, Mercado de Alvalade, um bom naco de atum vermelho, complementos, temperos, e de volta à cozinha.

Confesso que não sou muito dado a medidas exactas… Aliás, falta balança de cozinha cá em casa. Virá um dia certamente mas, enquanto vem e não vem, vai a olho.

Preparar o Tártaro de atum

Cortei cerca de 300 gramas de atum em finas fatias. A essas voltei a dar a faca afiada de forma a cortar estreitas tiras e por ultimo, picar em pequenos pedaços. Tudo para dentro de uma tigela.

Piquei também um pequeno molho de cebolinho, uma chalota, algumas alcaparras e misturei tudo com o atum. Entretanto já tinha acabado de cozer um ovo. Depois de frio, meio deste bem picado foi também para a mistura à qual juntei então um pouco de sal e pimenta preta.

Num toque à lá Tickets, o famoso restaurante de Ferran Adrià e do seu irmão Albert, resolvi incluir no meio do Tártaro uma camada de manga, igualmente picada à faca, dando um apontamento de cor mas, essencialmente, colocando o doce entre o sabor de mar do atum e o envinagrado das alcaparras.

Enformei sobre ardósia, cobri e levei ao frio durante duas horas.

Tártaro de Atum - Pedro Rebelo

Desenformei e complementei com um quarto de ovo cozido e cebolinho ao topo, acompanhado por pequenos tomates chucha com risco de Modena doce e maionese fresca.

O jantar foi tardio mas a espera valeu a pena.

Na calha fica já a ideia de um bife tártaro mas dessa feita, com um belo naco da vazia ou do lombo. A ver vamos quando virá.

 

Comments { 4 }

Concierto de Aranjuez, Miles Davis

Miles Davis Sketches of SpainHá dias assim. Há dias melhores e dias piores. Há dias bons e dias menos bons. Há até dias maus. E há músicas que encaixam perfeitamente nesses dias. Sejam eles bons, maus ou nem por isso. O disco Sketches of Spain de Miles Davis tem algumas dessas músicas e, como sei que todos nós temos por vezes “dias assim”,  hoje gostava de vos apresentar uma delas.

O Concierto de Aranjuez

Não será fácil imaginar a viagem desde os jardins do Palacio Real de Aranjuez, na Madrid do século XVIII, até a East 30th Street na Nova Iorque dos anos 60 mas, tal é a beleza da obra escrita por Joaquín Rodrigo em 1939 entre sonhos e pesadelos, que da guitarra clássica chegou ao trompete de Miles Davis, dando-nos a cada nota uma imagem do tal jardim, dos recantos floridos, dos lagos de agua corrente, dos pássaros a cantar mas também das sombras entre frescas e frias e do escuro que fica quando cai a noite. Miles Davis disse que ouviu o Concierto de Aranjuez pela primeira vez quando um amigo o pôs a tocar numa das suas digressões pela costa oeste norte-americana e que depois disso o ouviu durante semanas até que não o conseguisse mais tirar da cabeça. Ouve-se e percebe-se porquê.

A música mais longa

Pegando no segundo movimento do Concierto, o adagio, Davis cria juntamente com Gil Evans, a mais longa musica do disco, com uma duração de 16 minutos e 19 segundos mas leva-nos ainda assim, numa suavidade por vezes quase angustiante, a escutar na esperança que não acabe, que dure só mais um pouco, tal é a constante promessa de que melhores dias virão… Ou nem por isso. Assim é a vida. Assim é o jardim. Tal como num jardim, também aqui há uma ordem. Preparem-se para um fantástico trabalho de orquestra, o tal encadear da natureza que, com todos os sons disponíveis, cria uma tela imbricada que nos envolve de tal forma quase nos levando a acreditar que ali, está tudo o que existe. Não é o típico jazz de Miles Davis, não é a obra do improviso a cada tempo, houve até quem chegasse a perguntar se era realmente jazz. Miles Davis respondeu “É música, e eu gosto.”.

Comments { 0 }

That’s It, Preservation Hall Jazz Band

Preservation Hall Jazz Band That's itNinguém acorda de manhã decidido a gostar de Jazz. Bem, penso que não. Eu, por exemplo, não me lembro de como comecei a gostar mas lembro-me bem do que me trouxe de volta a ele depois de ter ficado lá atrás, no fundo da prateleira, durante muitos anos… E acredito que é sempre assim, que há algo que nos leva ao Jazz, que há um momento, um filme, uma série, um livro ou uma fotografia, qualquer coisa, há sempre algo que nos leva ao Jazz.

O Jazz e o desejo de recordar ou o recordar de um desejo

O Jazz, por sua vez, traz sempre consigo algo para nos dar. De uma estranha forma parece recordar-nos de algo, mesmo que um algo não passado, um algo não vivido… Pode ser um algo desejado. Bem, pelo menos comigo é assim.

Talvez não seja só comigo. Talvez haja mais quem pense desta forma. Talvez por isso haja tanto interesse em preservar os clássicos do Jazz, as suas raízes, as suas origens. Não esquecer o que nos faz recordar parece ser um bom principio

Preservation Hall Jazz Band, a missão

A Preservation Hall Jazz Band faz precisamente isso. Recorda desde 1961 os grandes clássicos do Jazz, da terra do Jazz, em New Orleans. 50 anos a gravar e quase nunca gravando originais mas, sem quebrar a tradição de nos dar grande música, a Preservation Hall Jazz Band grava That’s It, o seu primeiro álbum de originais e, como seria de esperar, é um grande álbum.

A abrir, a música que dá titulo ao álbum, That’s it, um portento de poder e ritmo que não deixa ninguém indiferente. Experimentem ouvir That’s it em qualquer altura do dia e entre sopros e batidas (Ben Jaffe – filho dos fundadores Allan e Sandra Jaffe, Mark Braud, Ronnel Johnson e Joe Lastie e ditarem a qualidade do que está para vir), ganhem novo alento.

O Jazz de New Orleans

Dai para a frente é um sentir a cidade de New Orleans no seu melhor, do mais festivo ao solene, do sagrado ao mais pagão… Esperem pelos espíritos dos mortos que vos virão acompanhar rua abaixo no dia de Saint Joseph quando ouvirem Freddie Lonzo em Rattlin’Bones. Sonhem com um passeio de mão dada num Verão de noites doces ou com uma qualquer cadeira de baloiço na portada de casa com um copo na mão enquanto ouvirem o saxofone em August Nights. Com Dear Lord (Give Me the Strength), entrem lado a lado com Ronell Johnson pela igreja dentro, num momento de gospel.

Numa aparente contradição, gravando 11 originais, a banda que se dedica a preservar o espirito dos grandes clássicos de New Orleans, acaba por ser ela mesma a contribuir para essa lista de musicas (e músicos) a recordar. That’s It será certamente um disco a ficar para a história.

E vocês? Gostam deste tipo de Jazz? Entre Bourbon Street e West Coast, por onde passeiam as vossas sonoridades favoritas?

Comments { 0 }

Menos mamas e mais diversão – Kate Upton Gravidade Zero

Anda meio mundo na Internet a falar do filme da Sports Illustrated Swimsuit com a Kate Upton num ambiente de gravidade zero… Ora bem, podemos imaginar que não será devido ao interesse cientifico da experiência mas, acreditem, há para ali coisas interessantes para além de mamas…

Experimentem ver este pequeno filme, a edição da Hollywood Times, e apreciem os momentos de verdadeira diversão que aquela filmagem deve ter tido…

UPDATE: o video da Hollywood Times foi retirado pelo Youtube por alegada violação de direitos da Time Inc. Esta é outra versão. A música é diferente, as cenas são as mesmas…

UPDATE 2: E eis que mais um video foi retirado do ar pelo Youtube alegando violação de direitos. E eis que surge nova versão alguns minutos depois…

UPDATE 3: A sério que começo a ficar fartinho disto. O video anterior foi igualmente retirado… Huuummm… Quanto mais tempo demorará a… Pronto. Segue nova versão.

Para os mais preocupados com as questões da estética mamaria, este talvez não seja o melhor filme para isso mas, há por ai outros registos da Kate Upton em gravidade zero onde poderão analisar em maior detalhe o desenvolvimento da jovem comparativamente a outras participações suas em anteriores edições da Sports Illustrated Swimsuit.

Estranhamente não me lembro de ter visto tamanho interesse dos portugueses aquando da edição da Sports Illustrated Swimsuit 2010, gravada em Portugal… É este o Portugal do futuro? Gravidade Zero a bater aos pontos modelos em bikini, cavalos e guardas da GNR?

Comments { 0 }