Centro Comercial Amoreiras. Final de tarde de uma qualquer Segunda-feira. Piso 2, loja 2005, Sapataria Jandaia. Mesmo sem ver nada de particularmente interessante à primeira olhada na montra, resolvi entrar e tentar a sorte. Esta foi a sapataria (ainda que na Avenida da Igreja) onde durante muitos anos comprei os meus sapatos. Quem me diria a mim se não encontrava ali novamente consolo para os meus pés?

Nova olhada e na montra lá estava um par de sapatos que me agradava. Uma marca italiana de que não me lembro o nome e um preço razoável entre os 120 e os 130 euros. Pergunto à senhora que me atende se tem aquele modelo no numero 41. Diz que sim, convida a sentar e lá vai ela em busca do dito cujo.

Volta, traz os sapatos, eu experimento e comento o facto de estar já habituado aos meios-números dos sapatos americanos. Dava jeito um 41,5. Diz-me a senhora que os sapatos italianos também existem em meios-números. Infelizmente não naquele modelo em particular. Só 41 ou 42.

Estava decidido. Seria o 41. Só um pequeno detalhe. Diga-me por favor – peço eu com o tal direito de todo o Cliente – mas arranja-me este modelo com pele normal, brilhante? É que o modelo que tem na montra tem pele lisa, brilhante e o que me trouxe tem uma textura um pouco diferente e é baço.

“Esses são brilhantes” – responde a senhora. Desculpe? Como diz que disse? Não. Estes são baços. Brilhantes são os outros. “Não” – volta a senhora a replicar – “esses são brilhantes. A questão é que esses são 41 e os que estão na montra são 39.” Surreal. Kafka voltou à terra e encarnou uma vendedora de sapatos da Jandaia nas Amoreiras.

Explico à senhora que o facto de um sapato ser 39 e o outro ser 41 não terá nada a ver com o facto de um ser preto liso e brilhante e outro ser preto texturado e baço. “É da luz” – diz a senhora prontamente – “pois esse par baço que eu trouxe agora já teve muito tempo na montra, muitos meses, e ficou baço. Esse sapato que está na montra foi para lá agora e ainda está brilhante.” Como rebater tal justificação cientifica? Como se não bastasse, para terminar por ali tal esgrimir de argumentos, colmata a senhora a conversa (pensava ela) com: “Olhe que eu sei do que estou a falar. Já estou nisto há 9 anos”. Estava a pedir por ela certo? Pois que eu já calço sapatos vai para mais de 30…

“Pois então não. Este modelo não tenho com brilho. Posso ver se tenho em alguma outra loja.” Como é que diz que disse? Se tem em alguma outra loja? O quê? Sapatos iguais numero 41 mas que ainda não tenham apanhado com a luz da montra e como tal, que estejam brilhantes? Não havia. A senhora confirmou lá no seu computador e sapatos daquele modelo, numero 41, que ainda brilhassem, não havia em mais lado nenhum

Garantidamente, e só por piada confesso, amanhã irei visitar outras Jandaias por Lisboa. Tenho vontade de contar a história, sentir as reacções…

2 thoughts on “Sapatos de homem. A aventura continua

  1. Se investigares a senhora em causa, vais ver que ela tem um primo afastado que serve uns acepipes numa tasca lá para os lados do Padrao dos Descobrimentos.

  2. tanta coisa por causa de uns sapatos. e ainda por cima caríssimos. 120 euros por uns sapatos é roubo.

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