Figuras engravatadas e máquinas fotográficas.

July 18, 2007 – 01:43



Montra

Quão estranho pode parecer um gajo de fato (azul escuro com risca muito fina) e gravata, pelas ruas da Baixa de Lisboa com uma máquina fotográfica na mão? E não é daquelas pequeninas, compactas, que ninguém dá por elas. Não. É uma das grandes. Que voz (thanks gi-gi) vos parece? A mim pareceu-me que toda a gente me achava maluco. Hora de almoço, um calor de rachar, e eu de maquina em punho. Sobe rua, desce rua, clique, clique, sem parar… A hora de almoço passou e eu voltei ao trabalho. Isto foi ainda a semana passada. Ontem voltei a tentar. Fato cinzento, um pouco mais claro. Também não estava tanto calor mas as ruas estavam igualmente cheias de gente. A mesma sensação. Definitivamente. Deve haver para ai uma qualquer farda oficial para fotógrafos quer sejam profissionais ou de ocasião. ou então basta ser turista. Se eu aparecer em plena Baixa de chinelo de enfiar no dedo (que os Deuses e Deusas me livrem e guardem de tal cenário) e calção bege, t-shirt Hard Rock Café e boné de baseball não há qualquer problema em andar a tirar fotografias a torto e a direito. Ninguém olha ou se olham não ligam. É só mais um. Agora andar de fato e gravata e de maquina em punho? Dois dias e foi o suficiente para ouvir desde “parece qu’é parvo” até “deve ser do SIS”. Não desisto mas que não é facil não é… Sugestões???

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  1. 12 Responses to “Figuras engravatadas e máquinas fotográficas.”

  2. Célia Leocádio escreveu em Jul 18, 2007

    Realmente essa do SIS é viável.

    A mim só me ocorre sensibilizar as tuas chefias que o fato e gravata não aumenta a produtividade. Mostra-lhe o ambiente das empresas de Sillicon Valley e por ai. Diz o mê Paulo que no campus da Sun era confundi-los com os turistas que populam a baixa de calção e chinelo. Continua sem se perceber este excesso de formalismo e aparência, que mais não servem do que para aumentar a soberba e vaidade dos yuppies portugueses.
    Talvez na Banca, e só mesmo os que estão ao balcão ou no atendimento publico justifiquem a necessidade de uma imagem burocrática e clean, a justificar confiança e segurança, mas o resto já acho um exagero, sobretudo nesta altura de verão.

    Bom, e não é só os gajos de fato, tambem poderia aqui escorrer sobre as gajas, mas isso já é quase que natural (a vaidade), e não há por assim dizer que um uniforme distinto. Mas nesta época os gigantes óculus com as iniciais douradas e gigantes de designer estampadas na haste dos ditos.

    Mas porra, se ao menos as (nossas) piruas tivessem um 10% da sofisticação e glamour da Carrie ou da Charlotte (Sex in The City), e nunca me lembro de vêr a Carrie com um bronzeado falso ou tirado a ferros de uma semana no recife.

    Este post já vai longo, e antes que comece a morder a lingua, por aqui me fico.

    Eu tambem queria trazer a minha D50 p LX, mas sofro do mesmo complexo, de me acharem uma tontinha.

  3. Pedro Rebelo escreveu em Jul 18, 2007

    Pois a questão é mesmo “a Banca”. Mesmo não estando ao balcão. A banca é o serviço comercial por excelência e o fato e gravata são os mais reconhecidos símbolos comerciais. Nada a fazer quanto a esse ponto. Ainda por cima a “minha” Banca que é conhecida por ser bastante rígida nas regras. Não é que o fato e gravata me incomode (muitos anos antes de trabalhar já usava. era uma questão de imagem) mas começa a chatear-me o estigma.

  4. gigi escreveu em Jul 18, 2007

    “Que voz parece?” = Que vos parece? (apagar este comentário)

  5. Pedro Rebelo escreveu em Jul 18, 2007

    Corrigido… Apagar??? Mas é que nem pensar nisso. A não ser que faças mesmo questão.

  6. Karyatis escreveu em Jul 18, 2007

    Uso de gravata aumenta aquecimento global… i.e. fulanos engravatados precisam mais de ar condicionado que gasta energia. Ha!

    Quanto aos olhares e atitudes, cada um tem a sua cruz. Eu fui abençoada com emprego sem dress code, e ao mesmo tempo com eterna imagem de turista, sobretudo no Sul da Europa. É vê-los a tentarem vender-me óculos de sol, haxixe e serviços indiscriminados “hey miss, you like?” à Borat e em inglês, obviamente…

    Por outro lado o ar de turista ajuda, porque o tuga dá um certo desconto, são camones = não sabem e pronto. Eu aproveito e tiro fotos aos tugas, armada em turista na minha cidade :P

  7. Pedro Rebelo escreveu em Jul 19, 2007

    “Uso de gravata aumenta aquecimento global… i.e. fulanos engravatados precisam mais de ar condicionado que gasta energia. Ha!”. Pois. Já os japoneses o sabem desde há dois anos… Yeap. Tu aproveitas. Eu arrisco-me a levar uma pantufada um destes dias mas que se lixe… Até lá vou fazendo a figura do costume. Se algum dia te cruzares com um gajo de fato e gravata e de 350D na mão diz-lhe olá. Pode ser que acertes (não deve haver muitos aqui pela baixa - há alguns de fato e máquina fotográfica mas não costumam usar gravata e dizem sempre “queres uma máquina baratinha?”).

  8. De PC escreveu em Jul 19, 2007

    Faz a barba. Vais ver que olham para ti de modo diferente! Ou simplesmente não olham…

  9. Karyatis escreveu em Jul 19, 2007

    Se um dia uma tipa mal vestida de Sony Alpha na mão disser “olá”, não é uma turista escandinava a atirar-se a ti, sou eu :P

  10. Pedro Rebelo escreveu em Jul 20, 2007

    Ó De PC… Não tenho culpa que o meu amigo só me veja de quando em vez… Já está a barba feita. E bem feita… Nem pêra nem nada…

    Karyatis: Está combinado. De qualquer forma, dificilmente eu imaginaria uma turista escandinava (ou outra) a atirar-se a mim mas enfim (soa a falta de auto-estima não?)… Talvez para me perguntarem onde fica a baixa ou algo do género.

  11. Ana B. escreveu em Jul 20, 2007

    Olha, lá desde quando tu ligas alguma coisa pró status quo???? Desde que deixaste cair a pôpa???
    Borrifa-te lá nos olhares e continua a tirar essas fotos catitas!
    Ou então experimenta acrescentares à tua indumentária algo revolucionário, como por exemplo: umas chanatas (convenientemente escondidas num saquinho lá no banco), uns óculos de sol à elvis presley ou mesmo um chapéu de palha daqueles grandes para tapar o sol! Vais ver que passas logo despercebido! Bjs

  12. Karyatis escreveu em Jul 20, 2007

    Revolucionário, revolucionário seria um boné basco com um pin de Ché Guevara… Ninguém suspeitaria um bancário!

  13. Pedro Rebelo escreveu em Jul 20, 2007

    Bancário… Uuuuiiii… Não… Ok. Trabalho num banco. Sou bancário… Vá lá. Adiante. Ana B. Tens razão. Não ligo. E quanto à pôpa, bem, o meu cabelo já não tem bem 20 aninhos e já não se aguenta como aguentava. Além disso, se lhe puser tanto gel ou laca como punha nos velhos tempos do rock n’ roll ‘tou desgraçado. Fico careca antes dos 35. Já pensei na hipótese de tirar a gravata à hora de almoço mas, sabes como é, não sou eu. Ainda acabo conhecido como o “engravatado da máquina”.
    Revolucionário. Agora é que foi. Já me chamaram de tudo. O boné basco confesso que gosto mas andar de pin do Ché acho que passava até os meus limites (e acredita que podem ser amplos por vezes).

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