Michael Crichton NextAcabei de ler Next, o mais recente livro de Michael Crichton que redescobri após a leitura de State of Fear. Também em Next apanhei uma pequena desilusão ao chegar ao fim do livro. Mais uma vez Michael Crichton leva o livro num constante crescendo para me dar um fim (ainda que não tão esperado como o de State of Fear) simples e não muito aprofundado. Queria mais. No entanto, o mais impressionante disto é que, mesmo assim, mal posso esperar para deitar a mão noutro livro do autor. Leitura fast paced como há algum tempo não via. Daquela que me faz perder a paragem do Metro e descer na próxima.

Já deu para perceber que o Michael Crichton é do género que pega num assunto que o esteja a interessar de momento, investiga-o até mais não e depois pimba: sai um livro estilo tecno-thriller. Em Next volta a um tema já por si abordado anteriormente em Jurassic Park: A genética. Aqui, tal como no livro dos dinossauros, há um interesse financeiro na trama mas enquanto no anterior titulo era a industria do divertimento quem mexia os cientistas aqui é a ideia do total aproveitamento do ADN para as mais variadas formas de exploração comercial. Os genes aqui são brinquedos com que se brinca e por vezes de forma um pouco irresponsável.


Neste livro existem muitas histórias diferentes que se relacionam na sua complexidade e se nos são apresentados alguns dos personagens tipo de Crichton este também nos supreende com alguns dos mais notáveis que já criou. O milionário filantropo e o empresário de sucesso são prato certo. Temos ainda o cientista de genética mas homem de fé e com uma queda notável para a politica. Junte-se uma advogada, gira, mãe solteira e mulher d’armas ainda que não pareça e a coisa começa a aquecer. Uma pitinha, quer dizer, uma pitada de juventude com uma miuda de 16 anos que experimenta tratamentos de fertilidade a troco de uns dolares para comprar implantes mamários. Perversão em dose certa com um segurança que ora come a mulher do patrão ora sonha com as cheerleader fresquinhas dos clubes locais. Adicione-se para finalizar um chimpanzé com origens por demais reveladoras para o resto da história de forma que não as irei contar aqui e Gerard, um papagaio que sabe fazer contas, imitar shotguns (caçadeira tipica de filmes americanos) e, a cereja ou melhor, a metade do morango em cima do bolo, imita na perfeição os sons de um marido a receber calorosamente a amante quando a mulher está fora em trabalho… Cozinhado de complexidade elevada.

Next faz-nos rir e ao mesmo tempo faz-nos pensar também no uso comercial abusivo que a ciência pode ter. Faz ainda pensar no quão dificil deve ser fazer leis quando o tema é tão fortemente rodeado de questões éticas e morais mas ao mesmo tempo de vital importância para o futuro da Humanidade.

Tal como o próprio Crichton escreve, “… este livro é ficção exeptuando as partes que não o são.”.

p.s. Querem saber o que é que isto tem que ver com as loiras? É favor ler o livro. Está à venda na Amazon por £10.79

Nem a propósito do livro que ando actualmente a ler (Next) vem esta noticia publicada hoje pela BBC: Um mosquito geneticamente modificado para ser resistente ao vírus da Malária. Lançado em ambiente natural poderá um dia prevalecer sobre a espécie original… O Mundo começa a mudar… Rapidamente.

Eu gosto das músicas (sejam escritas, compostas ou interpretadas por) de David Byrne. Fazem-me sentir bem disposto. Lembrem-se dos Talking Heads… Pois e não é que o homem é muito há frente? Bem, também já o sabia (lembrem a Wired de Novembro de 2004) e agora ele veio mais uma vez confirmar na apresentação Record Companies:Who needs them? Vejam o que diz o New York Times sobre o assunto.

Cada vez mais se ouve falar (se lê) sobre a eventual realização cinematográfica da obra prima de Alan Moore Watchmen. De relembrar que estamos a falar de uma obra que consta na lista da Time Magazine das 100 melhores obras em lingua inglesa (publicadas a partir de 1923).