A Isa desafiou-me para listar os meus objectivos para 2007. Assim em primeira análise ficam cá estes:

Destino: Amsterdão.
Desde o inicio do ano que falamos nisso. É este ano que vamos conhecer Amsterdão. A coisa não está facil não senhor. Os preços são altos e os euros não andam muito bem cotados por aqui. No entanto a esperança é a útima a morrer e já é sabido que a familia se desenrasca muito bem quando é para o passeio e como tal, é definitivamente um objectivo a cumprir (há ai uma hipotese de um Cruzeiro no Mediterrâneo mas essa é ainda muito remota).

Ler, ler, ler: Sempre.
Tendo em conta que não tenho muito tempo livre e que sou completamente viciado em séries televisivas, é um desafio enorme acreditar que vou conseguir ler um livro por mês. Até agora estou a cumprir. Janeiro foi o #The last Templar” e em Fevereiro li “O Ultimo Papa”. Vou começar a carregar comigo o “State of Fear” do Michael Crichton…

Fotografia: Tempo era um bom subject.
Falta tempo e para a fotografia que eu queria tempo é essencial. Para aprender, para procurar e processar… É muito tempo. E precisava Lisboa pois é lá que a minha fotografia está. E Lisboa está longe no meu dia-a-dia…

Sala. Entre estantes e cadeirões…
Já é altura de finalmente acertar com a sala lá de casa. Este é um objectivo meu mas deverá ser (tal como o Destino: Amsterdão) concretizado em comum com a Susana pois se eu o fizesse sózinho das duas uma: Ou a sala ficava ainda mais caótica do que o que costuma estar (e falo principalmente do meu canto) ou entrava de vez numa onda minimalista e só lá ficava a televisão e o sofá… Se queremos o raio dos cadeirões temos que ir à procura deles… E a estante gigante, venha de lá o IKEA…

Portabilidade: Um novo portátil?
Não é que o meu esteja em idade de reforma. Não está (o que de melhor trouxe a plataforma Centrino). No entanto uma coisita melhor já agradava e este podia ficar lá na sala permitindo à Susana ver-se livre de vez do caixotão que lá está (sim, ainda lá está). Porque investir por investir acho que só vale a pena investir num portátil…

Laranjas: Combater as constipações.
Ok. Não é um verdadeiro objectivo mas tralvez não fosse má ideia pensar em comer laranjas às carradas. Se calhar não estava constantemente constipado como tenho estado desde há 4 ou 5 meses para cá. Sim, estou constipado. Again!

E eis que depois de blogumentary surge um site daqueles que nos fazem perder horas e horas seguidas: Best Online Documentaries. Uma listo do que melhor se pode encontrar na Net no estilo referido. Da Antropologia à Ciência passando pela Religião e pela Politica… Há de tudo como na farmácia. A guardar.

Através do bolinhos fui dar ao Suicidio Encomendado. Nas palavras do autor “Uma nova abordagem, um novo conceito, uma nova forma de conviver com o fim da nossa vida…” .Uma prova de bom humor, negro é certo mas ainda assim, bom humor. Talvez seja hora de um famoso humurista nacional começar a espreitar novos conceitos, mesmo que mais radicais ou alternativos…

Acabei de ler “O Último Papa” de Luis Miguel Rocha. Para quem não conheçe estou a falar de um livro que já era famoso antes de estar escrito. Para terem uma ideia estou a falar de um livro cujos direitos de adaptação cinematográfica foram comprados por Hollywood ainda nem havia uma tradução decente de português para inglês. A polémica vende. E neste caso é bem vendida. Em “O Último Papa” o autor funde a ficção e a realidade de forma perigosa quando nos mostra a loja macónica P2 em plena actividade ou quando nos apresenta um (podemos tirar essa conclusão ao fim) elemento da Santa Aliança (os serviços secretos não declarados do Vaticano) completamente desprovido de sentimentos que não o da lealdade à sua missão.

“O Último Papa” começou a fazer furor quando em 2005 na Feira de Livros de Frankfurt Luis Miguel Rocha anunciou que estava a escrever um livro sobre a morte de do Papa João Paulo I em que implicava a P2 e uma conspiração dentro do próprio Vaticano. Ora, outra coisa não seria de esperar uma vez que a morte do “Papa do Sorriso” está envolta em mistério desde o primeiro minuto e o Vaticano nunca fez nada para o clarear muito pelo o contrário. Também deve ser tida em conta a onda gerada pelo romance de Dan Brown que veio animar as hostes para tudo o que é relacionado com escandalos na Igreja e mistérios que podem mudar o mundo. Ao fim e ao cabo Luis Miguel Rocha não é o primeiro a falar sobre o assunto (lembram-se d’ O Padrinho III?). A isso há que somar as declarações do autor quando diz que sabe mais do que Lucia (a vidente de Fátima) ou que a ideia original para o livro lhe foi sugerida por alguem dentro do Vaticano… Enfim, uma campanha bem montada. Quanto ao livro tenho a dizer que já há algum tempo que não lia um livro tão depressa quanto este. Gostei. Bem, o autor passa o tempo todo a falar comigo e por vezes tem aquela mania irritante de escrever coisas do género “se te disser tenho que te matar e por isso não digo” mas mesmo assim rapidamente nos habituamos ao estilo e as páginas passam quase sem dar por isso. O fim do livro… Pois… Se eu encontrasse por ai o Luis Miguel Rocha, mandava-lhe com o calhamaço à cabeça (e não é assim tão pequeno) para ver se ele gostava. Mas que raio??? Claro que não o vou aqui contar mas acreditem que seriam bem capazes de partilhar a minha opinião.

Ficarei assim à espera do próximo livro deste escritor português de trinta e poucos anos, que entretanto já deve ter enriquecido com o livro actual. Sabe-se que temos outro Papa na calha e de um atentado que este sofreu. Desde que não seja a história da bala contada na primeira pessoa…

Pois que o dia foi assim mais ou menos como os outros. E ponto.

Não, claro que não podia ser só isto certo? Então e eu não escrevia aqui sobre a supresa que a Susana me preparou desta vez? Pois bem, e que supresa foi essa? Com uma semana de antecedência falou com a minha mãe e combinou com ela para que ficasse lá em casa na noite de Quarta-feira ao que ela de imediato anuiu (mortinha está ela para ficar com a neta uma noite). Fui eu buscar a Patricia ao colégio e espanto meu quando esta me disse que a avó é que ficava com ela essa noite pois eu ia sair com a mãe. Sim, ainda não fez três anos… Muito bem ensinada sim senhor…

O restaurante Kaetanos

Ála que se faz tarde e estamos de novo a caminho da Graça. A Graça tem graça sim senhor, com uma vista fantástica (apesar de só me lembrar daqueles anuncios imobiliários que dizem com vista para o rio mas que se esquecem de referir que é quando se coloca uma tábua de passar a ferro na janela ao mais belo estilo prancha de navio pirata, e se esgueiram até à ponta) mas sinceramente, tem ruas e becos que intimidam um pouco quando de noite… Eis que chegámos. A mesa estava reservada no Kaetanos. Quem passa na rua não imagina o que está lá dentro. O espaço é enorme ainda que dividido em várias salas diferentes. Fomos prontamente recebidos à porta e acompanhados até à nossa mesa onde logo à chegada nos propuseram beber algo sugerindo a caipirinha como sendo muito boa. Diga-se já para não haver enganos: o Kaetanos é um restaurante de sabores portugueses ainda que confeccionados com um especial requinte que lhes pode dar um agradável aspecto de fusão. A caipirinha era efectivamente muito boa. Apresentaram-nos uma ementa que me pareceu propositada para a ocasião, com os tais corações que não podiam faltar mas ainda assim, sobria e elegante qb (teremos que lá voltar para ver a ementa completa) da qual começamos por escolher de entrada Ovos Mexidos com Farinheira. Enquanto estes chegam e não chegam vêm à mesa o tipico prato de presunto Pata Negra fatiado fino, o par de mini-mini-chamuças que de tão mini (note-se simpáticas) nem a Susana reclamou muito do caril, e umas maravilhosas torradinhas, muito muito finas barradas a manteiga, salsa e algo que nos pareceu pequenas lascas de presunto. Chegados os ovos comprova-se a frescura dos mesmos e a combinação agradável com o enchido. Tudo muito bom.

Chegou entretanto à mesa a garrafa escolhida: Convento da Tomina Tinto 2005, vinho bastante aveludado ainda que bem forte (a contribuir para tal os 14,5 graus) idealmente a ser consumido com pratos bem temperados (para suportar o alcóol) parecendo adivinhar o que se seguia. Este vinho passou a fazer parte das minhas preferências. Vieram então os pratos pedidos que ao que parece se enquadram nas especialidades da casa. Posta de Bacalhau Fresco Escalfado em Azeite com Migas à Pescador e uma mui originalmente apresentada Empada de Caça com molho de Frutos Silvestres. Nada a dizer aqui senão bem. Só indo lá para provar. O Bacalhau impressionou pela frescura e a Empada supreendeu pelo sabor. Tanto um prato como o outro me convenceram com uma textura daquelas que se desfazem na boca.

Num espaço como este e com refeições de tal calibre, requere-se tempo e só com este de abundancia (ainda que nada tenha demorado note-se) se disfruta plenamente do Kaetanos. É aqui que entra a conversa. Não é necessário falar baixo para que na mesa ao lado não nos ouçam mas também não é necessário falar alto para alguem nos ouvir. Parece que tudo está bem estruturado por aqui. E de referir que o restaurante devia estar cheio pois as mesas da sala onde nos encontravamos forma todas completas com reservas prévias, vi passar pelo menos 12 caipirinhas para a sala de baixo e à saida vi que a sala junto à entrada estava igualmente completa sem contar quem em pé aguardava ainda sitio para se sentar.

Faltava ainda um doce para terminar que o vinho assim o pedia. Veio um leite creme queimado à hora que cremoso em dose certa finalizou a refeição. Tal como já referi acima, tudo muito bom. Sem contar com a prenda final (prometido brinde aquando da reserva) para comemorar o Dia de São Valentim: O sabonete de cheiro em forma de coração para a senhora e o charuto personalizado com marca da casa para o cavalheiro.

Assim foi. A Susana mantem a tradição de me surpreender com estas pequenas grandes pérolas gastronómicas e de bem passar o tempo. Ao fim e ao cabo, são 18 anos de namoro.

Restaurante Kaetanos

Rua da Bela Vista à Graça, 126/128
1170-059 Lisboa
Telf: 21 814 38 10
Telm: 96 379 52 19