E a tua mãe também (Y a tu mamá tambíen)

Y_Tu_Mama_Tambien-Lust_for_Life“E a tua mãe também” (Y tu mamá tambíen) é uma comédia. Não deixa de o ser. Mas é naquele sentido em que a vida pode ser uma verdadeira palhaçada e como tal, ter os seus altos e baixos, os bons e os maus momentos. É também um filme de aventura pois outro nome não podia ter (talvez loucura) a jornada que Tenoch e Julio tomam pela frente quando Luisa (prima de Tenoch) aceita ir com eles até à praia. O facto de Luisa ser casada não importa. Assim como também não importa o facto de que ambos já se masturbaram a pensar nela. As namoradas estão em viagem (e quando voltarem, não voltam para eles). Porque não ir em viagem também. Ao fim e ao cabo, elas certamente estarão a fornicar com um italiano qualquer. Ou dois. Ou muitos…
E depois há a estrada. O raio q’a parta da estrada que nunca mais acaba, onde se cruzam com as operações stop dos militares como se de mais um sinal de transito se tratassem. E fuma-se. Fuma-se muito. Há pensões de beira de estrada e sexo rápido. Há poeira no ar quando se chegam à berma. E a praia. Aquela que nem eles (que para lá se dirigiam) acreditavam existir. Mas existe. Uma maldita voz (ainda bem que lá está) que nos vai dizendo, desde o primeiro momento, o que foi, o que é e o que vai ser daquela gente… O tempo para quando se ouve mesmo sem nada parar. A estrada mostra-nos o México. Os que lá vivem, os que vivem bem e os outros. Os quase todos…

No meio disto tudo, há amor. É preciso descobrir onde. Mas ele está lá.

p.s. A comprar o DVD assim que possivel.

 
e ainda...

Pedro Rebelo noutras paragens...

4 comentarios a E a tua mãe também (Y a tu mamá tambíen)

  1. Hugo Gomes April 7, 2007 at 12:02 #

    A vida tem destas coisas, estamos sempre a descobrir! O caminho percorrido pelos dois rapazes, e do seu desejo chamado Luísa, é uma autêntica descoberta: dos seus medos,desejos, mas sobretudo do romper daquela inocência que se sente em cada piada, em cada dicussão e nesses diálgos abslutamente descompassados. É um amor real, expresso na realidade do México.
    Talvez todos nós desejamos alcançar a Foz do Paraíso, sentir a viagem e voltar a ser uma vez mais…inocentes!

  2. Pedro Rebelo April 9, 2007 at 14:44 #

    Ooooohhhh…. Quase não me recordava desta entrada. Obrigado Hugo. Infelizmente o retorno à inocência, só nos filmes…Ficam-se os desejos certo? Viva o cinema.

  3. Hugo Gomes April 10, 2007 at 13:54 #

    O retorno à inocência não é de todo impossível na vida real. Aliás ele é de todo sustentado nela. Por mais que aprendamos o contrário, acredito que aperciar o sol, dar uma boa gargalhada, ter um bom serão entre amigos, tudo isso poder se á afirmar como a INOCÊNCIA no seu melhor! Viva o cinema sim senhor! ;)

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  1. browserd days… » Blog Archive » Má educação (Mala Educacion) - August 24, 2005

    [...] Se o pessoal @work ficou chocado com o que lhes disse de E a tua mãe também(já se passaram alguns dias e continuam as piadas), imagino que amanhã, depois de lhe falar sobre Má educação (La Mala Educacion) seja expulso da área. Almodovar e pouco mais há que dizer para além de que este espanhol nos continua a mostrar que o Homem não é só aquilo que parece e que, por mais que tente, dificilmente esconde traços que por vezes beiram a total falta de conceitos morais. Mas é assim o Homem. Desculpem o linguajar mas, tal como não defino Lynch, quando falo sobre Almodovar há sempre uma expressão que não deixo de lado: Temos putas, paneleiros, drogados e afins. Confesso que não dei pelas putas. Talvez estivessem nos bastidores. A história de Enrique Goded, o enganado que afinal deixou de o ser, e o seu amor por Ignacio que afinal já morrera dá para o policial. Através de pequenos retalhos de um guião, Almodovar conta-a de forma sublime. O lado negro e quase podre, escondido, das grandes virtudes sociais, é aqui mostrado de forma crua e com coragem. Nota ainda para a muito boa banda sonora onde se destaca a presença de Alberto Iglesia já habitual nestas histórias do espanhol. [...]

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